Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!
segunda-feira, dezembro 24, 2007
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Meninos, eu vi! Gotan project, no circo voador.
Acontece que o tango é um rítmo pesado e muito marcado, de compassos vibrantes justamente para casar com a dança, em que o casal desfere movimentos, voltas e piruetas bruscas como desenvoltura. Apesar de ser vigoroso, para mim sempre soou velho e repetitivo.
Então como soa o gotan ao vivo? Como em seus discos, e assim repetindo sua estratégia bem sucedida, pois o gotan não se limita ao atngo, mas a uma temática argentina em suas composições. É claro que o tango está muito presente e inclusive é tocado em um momento de forma pura, sem intervenções eletrônicas, mas também estão presentes outros rítmos que formam o caldeirão da música argentina, até seu rap, espertamente apresentado por uma pré-gravação, acompanhado de uma projeção simultânea. O mesmo recurso é utilizado quando se insere guitarra e bateria em uma música.
Outra característica explorada pelo gotan é a elegância. Esta é marcada a partir do vestuário: ternos de 3 peças champanhe com gravatas vermelhas para os homens, vestidos longos brancos para as mulheres. Esta elegância também é visível na forma de tocar, onde se é nítido o domínio e entrosamento dos músicos. Dois programadores na parte eletrônica, um violonista/vocalista, um pianista, 3 mulheres nas cordas, um excepcional acordionista e uma vocalista, aliás a única metida a pop star.
Foi um show enxuto, competente e empolgante. A platéia virou um bailão de tango e em uma hora uma boa idéia franco/portenha se consagrou no Brasil.
domingo, dezembro 02, 2007
Thriller 25 anos - minha homenagem!
Na verdade é uma desculpa pra postar este vídeo. Reparem no traveco careca que faz o papel da mocinha.
Descrição do vídeo: "1,500 plus CPDRC inmates of the Cebu Provincial Detention and Rehabilitation Center, Cebu, Philippines at practice! This is not the final routine, and definitely not a punishment! just a teaser."
sexta-feira, novembro 23, 2007
terça-feira, novembro 06, 2007
E ele estava ali pra todo mudo ver.
Como uma ferida aberta ou o bêbado da praça, algo de que se desviam os olhos à menor vista. Um farrapo, algo disforme, chamado de homem.
Sua fronte baixa, com as sombras a desenhar suas expressões, descuidadamente mascaradas. Sulcos com nomes de mágoas, rugas chamadas de tristeza num cenário de flacidez pela total ausência de vigor.
Prendeu a respiração, enclausurou o choro com medo do escárnio dos homens. Preferiu abraçar esse sentimento tão cruel que é fingir que está tudo bem.
Em certos momentos move-se como se quisesse se erguer, apóia-se numa coragem vinda sabe Deus de onde, apega-se a esperança da passagem dos dias, palpando um amanhã pra viver de cabeça erguida.
Para sentir o vento frio em suas costas e encolher-se à realidade. Sente o punhal da juventude roubada a aprofundar-se cada vez mais na alma, sente a dor da “experiência de vida” adquirida com tanta dor, que sequer serve para ensinar aos outros.
Sabe que é da caridade de poucos que tem a simpatia, como migalha dada aos pombos, efêmero é. Tornou-se aquele tipo de pessoa que confunde-se a paisagem, um mero figurante a viver sua tragédia pessoal.
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Listening to: Chico Buarque - Vai Passar
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terça-feira, outubro 30, 2007
segunda-feira, outubro 29, 2007
Hoje eu li...
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Listening to: Jon Spencer Blues Explosion - She Said
via FoxyTunes
sábado, outubro 27, 2007
TIM fest 2007 – Anthony and the Johnsons e Bjork
My D me presenteou com um convite para acompanhá-la para ver sua predileta, então lá fomos nós de novo pro TIMfest.
Apesar do nó do trânsito (Rebouças fechado), chegamos na hora e nos deparamos com um cenário que remonta à zona portuária e à Praça Mauá daqui do Rio, uma forma criativa de mostrar que esse festival teve sérias restrições orçamentárias, com uma concentração maior de shows em apenas dois dias e atrações de menor peso do que em anos anteriores. Que saudade dos tempos de MAM!
Partimos pro palco, ou melhor, sauna, pra acompanhar os shows.
Um show que fui praticamente cego. Conhecia duas músicas e jurava que se tratava de uma banda de soul americana, na maior estirpe da Motown americana. Apenas mais cedo descobri que se tratava de uma figura rotunda e andrógina esse tal de Anthony.
Pois bem, com apenas 15 minutos de atraso, o show, intimista em essência, começou. Nas próprias palavras de Anthony estar ali era um desafio, era “lutar contra a maré”. Mas posso dizer que ele cumpriu muito bem seu papel.
A temática das músicas é a das histórias de amor da geração 00, principalmente pela ótica gay. Dá pra imaginar o quão pesado e duras são as letras, porém a doçura e o bom humor do cantor e banda tornam tudo leve, ou como os rapazes que lotavam a frente do palco definiriam: “fofo”. Show curto, muito bom pra aqueles que conheciam, o que, para minha surpresa, não eram poucos.
É um caso de ame ou odeie. Bjork não é prato fácil, nunca foi. Suas músicas possuem camadas e seu estilo de cantar, subvertendo a técnica em razão da emoção, não a tornam popular. Além disso, por ser tão aberta a influências, podemos esperar qualquer coisa como sendo o seu show: música folclórica islandesa, piano e voz ou um show de música eletrônica da melhor estirpe.
No caso de ontem, foi um pouco de tudo.
O palco possui uma produção simples, porém caprichada, bandeiras e estandartes disputam espaço com câmeras robôs ao redor dos instrumentos, imagens de runas e bichos contrastam com telas de plasma estrategicamente espalhadas no palco.
O início do show é marcado por 10 adolescentes, vestidas de ninfas e a tocar instrumentos de sopro, a passear pelo palco. Elas são a sessão de metais da banda. Definitivamente Bjork nos manda esquecer tudo que aconteceu antes, agora é a vez dela.
A mescla de canções novas e hits consagrados funciona muito bem. Ela não para no palco, nem suas amigas adolescentes, que dançam, fazem backing e tocam todo o tempo. O resto da banda é composta por 4 músicos: 3 em programações e sintetizadores e um baterista, sem perder em qualidade pros discos... e olha que o som estava muito ruim!
Bjork intercalou períodos de calma, até cantando música em que precisou da entrada. Em outros momentos incorporou uma pomba-gira escandinava, levando o público ao delírio. Fechou com chave de ouro, numa levada trance de primeira, com laser a toda e chuva de papel picado, com a platéia na mão, estasiada. Cantava palavras de ordem.
- Declare independence!
- Don’t let them do this to you!
- Create your flag!
- And raise your flag!
Só Bjork mesmo pra ser engajada sem ser chata. Muito bom show!
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Listening to: Pixies - ed is dead
via FoxyTunes
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Listening to: The Beach Boys - Don't Talk (Put Your Head on My Shoulder) (Stereo Mix)
via FoxyTunes
quinta-feira, outubro 18, 2007
Som na caixa, seu mané!
Editors - The Weight of the World
Keep a light on those you love
They will be there when you die
Baby there’s no need to fear
Baby there’s no need to cry
Every little piece in your life
Will add up to one
Every little piece in your life
Will it mean something to someone?
You fused my broken bones
Back together again
Lift the weight of the world
From my shoulders again
Every little piece in your life
Will add up to one
Every little piece in your life
Will it mean something to someone?
Every little piece of your life
Will add up to one
Every little piece of your life
Will mean something to someone
You touch my face
God whispers in my ears
There are tears in my eyes
Love replaces ...
You touch my face
God whispers in my ear
There are tears in my eyes
Love replaces fear
Every little piece in your life
Will add up to one
Every little piece of your life
Will mean something to someone
Every little piece in your life
Will add up to one
Every little piece of your life
Will mean something to someone
segunda-feira, outubro 08, 2007
Som na caixa, seu mané!
Willy Mason - Oxigen
I wanna be better than oxygen
So you can breathe when you're drowning and weak in the knees
I wanna speak louder than Ritalin
For all the children who think that they've got a disease
I wanna be cooler than t.v.
For all the kids that are wondering what they are going to be
We can be stronger than bombs
If you're singing along and you know that you really believe
We can be richer than industry
As long as we know that there's things that we don't really need
We can speak louder than ignorance
Cause we speak in silence every time our eyes meet.
On and on, and on, and on it goes
The world it just keeps spinning
Until i'm dizzy, time to breathe
So close my eyes and start again anew.
I wanna see through all the lies of society
To the reality, happiness is at stake
I wanna hold up my head with dignity
Proud of a life where to give means more than to take
I wan't to live beyond the modern mentality
Where paper is all that you're really taught to create
Do you remember the forgotten America?
Oxygen Lyrics on http://www.lyricsmania.com
Justice, equality, freedom to every race?
Just need to get past all the lies and hypocrisy
Make up and hair to the truth behind every face
That look around to all the people you see,
How many of them are happy and free?
I know it sounds like a dream
But it's the only thing that can get me to sleep at night
I know it's hard to believe
But it's easy to see that something here isn't right
I know the future looks dark
But it's there that the kids of today must carry the light.
On and on, and on, and on it goes
The world it just keeps spinning
Until i'm dizzy, time to breathe
So close my eyes and start again anew.
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Listening to: The Arcade Fire - Keep The Car Running
terça-feira, setembro 25, 2007
“Você merece!”
Sentiu frio pela primeira vez há muito tempo. Levantou a cabeça e só então notou que o corredor da emergência esvaziara-se. Olhou pro pulso fino em busca de um relógio, 3:17 da madrugada. Quase 24h se passaram.
Andares acima, seu marido sendo operado. “Não podemos garantir nada, o traumatismo craniano parece ser grave”, dizia o plantonista, junto com a notícia da cirurgia sendo efetuada.
Perdera-se desde então em divagar sobre sua vida até ali: sobre como se sentia privilegiada em ser esposa dele, logo ela, uma moça tão sem sal, de olhos profundos, franzina, de cabelos sempre escorridos, de rosto rosado, mas nunca com bochechas. Seu privilégio era ele, o marido. Por ele ela estava ali, por ele ela aturava suas brigas na rua, a traição, sua bebida, por ele, sim, pelos seus olhos verdes, sua cabeleira vasta, pela sua força, por essas qualidades, essa presença que causava admiração nas mulheres que ela – uma moça tão sem sal – se sentia feliz.
Continua...----------------
Listening to: travis - happy
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sexta-feira, setembro 21, 2007
Quando os amigos e as mães se encontram
Aconteça o que acontecer, não se abala
Mantenha as aparências, mostra que tá tudo bem
Lava o rosto, toma um café,
talvez seja uma boa hora pra voltar a fumar
Ou não, você já tem problemas demais
Faz de conta que ta tudo bem, caramba!
Sorria, mas não muito,
Pode parecer estranho
Escova esses dentes, tá com mau-hálito
Algum tempo já passou, nem deu pra pensar
Isso é bom, se pensar, você pira
Nessas horas não tem papo não
Homem, mulher, novo, velho...
Isso acontece com todo mundo
Quantos dias não dorme direito?
Ta comendo? Mas só porcaria, né?
É hora de dar a volta por cima
Passa a pensar em você. Vai se cuidar
Escuta o que sempre te disse
Ah! Se você tivesse me ouvido!
Mas você tá vivo, e enquanto há vida...
O que passou, passou.
O que você perdeu, já já recupera
Bom, aprendeu, né? Vê se não faz besteira de novo
Mas eu vou estar sempre aqui
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Listening to: Azymuth - Tempos Atraz
via FoxyTunes
terça-feira, setembro 18, 2007
(Numa nota pessoal) Cansado
Sabe aquelas fases em que todas as chareações aparecem ao mesmo tempo e pra onde quer que você vira só encontra loucos e gente chata?
Sabe quando a sensação que você tem é a de ser um hipopótamo numa loja de cristais, se esquivando pra não botar tudo abaixo, ou como num filme de terror, pisando pé-ante-pé na expectativa do próximo susto ou do cadafalso se abrir bem debaixo dos seus pés?
Pois é...
Bom que passa!
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Listening to: Human League - Heart Like A Wheel
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quinta-feira, setembro 06, 2007
Claustrofóbico pela fumaça, bandejas e pessoas querendo ser vistas pelo "mundinho", não dei muita atenção às palavras ditas. Estava ali para dar o abraço tão esperado, afinal, de longe acompanhara todo o processo de criação do primogênito, movido não só pela curiosidade, mas por essa coisa estranha que é a amizade nos dias de hoje, quando a gente sabe tanto dos outros sem trocar palavras, quando a gente sabe que tem tanto em comum, sem ser comum um para o outro.
Para mim valia a pena estar ali pra abraçar alguém que teve a coragem que falta à maioria: a de apostar em seu talento e lirismo, em acreditar no seu olhar, nas sua voz e nas suas palavras. Alguém a quem me é impossível não admirar.
Sentou, teve o cuidado de abrir a página certa, escreveu com força e certo desespero, tentei puxar uma conversa na hora, não respondeu, sequer ouviu. Não podia competir com sua paixão. Pensei que era algo padrão, escrito para mais umas 10 pessoas que ali estavam antes, de tão rápido que saia o texto.
Levantou-se e repetiu.
-É muito feio, não se assuste! É feio mesmo! O próximo deve ser tão feio quanto! Não se assuste!
Sem jeito, procurando minhas asas e auréola pra justificar tanta cautela, só pude pensar em uma coisa pra falar.
-Não sou tão bonzinho quanto pareço, já vi muita coisa feia nessa vida.
Mais abraço e beijo, mais palavras de carinho e apoio e sigo pra fora dali, pra respirar. Abro a uns metros o livro, acho a página, vejo as letras escritas na pressa e, surpreendido, paro.
Ela também me conhece, em poucas linhas mostrou como me vê. E apesar de não ser tão verdade assim, deixo que ela pense assim de mim, fico feliz assim e até um pouco orgulhoso.
Sim, querida, sempre soube que você ouve. Eu que agradeço a honra.
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Listening to: The Beach Boys - Wouldn't It Be Nice
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terça-feira, setembro 04, 2007
sexta-feira, agosto 31, 2007
sábado, agosto 18, 2007
quarta-feira, agosto 15, 2007
quarta-feira, agosto 08, 2007
Olha o resultado!
Quatro pessoas votaram nesta aqui.
Apenas um voto para esta aqui.
O que confirma minha suspeita que todos nós temos uma imagem bem distorcida daquela que temos realmente. Mas é interessante notar características em comum na face e nas cores das roupas.
Obrigado a quem participou.
Férias pensantes 2 – Sobre referenciais
Algumas pessoas se tornam tão importantes em nossa vida que se transformam no parâmetro para certos aspectos da nossa vida. Estas fazem parte da nossa vida profissional, dos nossos gostos, da nossa maneira de se vestir, de dirigir, de atender a um telefone... Das coisas mais complexas às mais simples, reproduzimos aquilo que admiramos no outro.
Mas existe um tipo de referencial mais raro de se encontrar: aquele que traz em si uma proposta de vida, uma filosofia, que é a que você gostaria de ter. São pessoas de um padrão de vida, de caráter e de moral do tipo que você gostaria de ter. Em resumo, uma pessoa que você admira incondicionalmente, mesmo sabendo de seus defeitos, pois a raridade e/ou o preço de suas qualidades os supera em muito.
Talvez essa pessoa esteja bem perto de você, talvez sejam seus pais, talvez seja uma personagem histórica a quem admira, talvez seja um professor de quem tenha se tornado um pupilo... São tantas as possibilidades, mas nessas férias pude me aproximar mais uma vez do meu referencial de vida: minha avó.
Uma simples postagem de blog não poderia enumerar as razões pelas quais a admiro, nem contar a sua história de vida, que certamente daria um bom livro.
Resumidamente, minha avó é uma senhora de quase 84 anos, que teve 13 filhos. Perdeu dois ainda nenéns. Perdeu meu avô no dia do aniversário dele (com a festa pronta). O primeiro filho adulto que veio a falecer foi o seu caçula, o último que morava com ela, em um acidente de carro. Por quase um ano, dedicou-se a outro filho que ficou paraplégico em outro acidente de carro. Filho este, alcoólatra que a destratava sistematicamente.
Há 50 anos luta contra o câncer, que nesse tempo sempre leva a melhor contra ela, inclusive mutilando-a. Recebeu, “como presente de 80 anos”, mais uma vez um filho em sua casa, vindo depois de abandonar uma casa de recuperação de dependentes químicos. Filho este que, tendo sido tratado de um câncer, faz por onde não seguir todas as recomendações médicas.
Só pelo resumo, poderia se pensar que se trata de uma mulher amargurada, angustiada, uma pessoa cuja convivência seja um desfiar de lamúrias de sua parte. Mas não. A sua história prova o quanto foi forte, mesmo nos maiores golpes que sofreu. Força essa que ela atribui a Deus.
Uma pessoa que sempre colocou o outro antes de si, que usou de sua máquina de costura um instrumento para vestir famílias carentes, que pede de presente cestas básicas ou dinheiro para ajudar a quem precisa, que juntou suas economias para comprar um carro para poder rodar a cidade toda ajudando a quem precisa (mas calma! Ela tem motorista, que hoje divide com neta e bisnetos).
Conversar com a minha avó é antes de tudo uma experiência divertida, pois é uma excelente contadora de histórias, mas também é uma lição de vida e fortalecedor. Minha avó é uma pessoa que vive como quero viver, com os pés na Terra, mas os pensamentos no céu.
Apesar de ser de outra geração, esforça-se em entender os dias de hoje e sim, nessas horas, se irrita, por não aceitá-los. Mas, para ajudar a quem precisa, é capaz de tirar conselhos moderninhos sobre vida conjugal até para recém-casados.
É uma mulher que vive a sua fé de forma palpável e amorosa, que toda manhã canta 10 hinos de louvor a Deus (todos de cabeça), que recita versículos bíblicos sempre bem apropriados a qualquer assunto, com a referência dita de forma peculiar, com o número do versículo antes do número do capítulo. Tem suas experiências com Deus bem vivas na memória. Apesar da sua cota de desgraças, muito maior é a cota de milagres que presenciou em sua vida, a cota de vezes em que Deus a consolou e lhe deu esperanças.
Capaz de guardar todas as datas de aniversário e telefones de filhos, netos e bisnetos, atenta aos detalhes, com senso crítico afiadíssimo, mas língua bem guardada (sei a quem puxei), minha avó é uma pessoa que já viu de tudo nesse mundo. Pelo menos o tudo que queria ver. Hoje sua única ambição é de ver a sua derradeira vontade, sua última esperança ser concretizada: ir em paz para os braços do Pai. O que todos aqueles que com ela convivem logo se opõem (como se tivessem algum poder para tanto!), pois ela ainda tem muito que ensinar, mesmo quando ela nem imagina que está.
Hoje o meu sonho é que possa viver a luz desse referencial que é a minha avó, ser uma pessoa capaz de inspirar, enriquecer e trazer bondade de forma tão natural quanto ela faz. De ser capaz de pagar o preço e deixar minhas fraquezas de lado ao encarar meus pequenos desafios confrontados com a sua história bem sucedida de vida.
Sei do privilégio que é poder a conhecer e ser amado por ela. Sei do muito que não pude aprender por estar longe dela, mas sei que em todas as minhas vitórias estavam dois joelhos inchados a orar por mim madrugada adentro.
Te amo, vó! Mesmo a senhora não lendo isso aqui, to dizendo pra quem quiser ouvir.
Mickey Mouse deprê.



Quando Mickey Mouse migrou dos cinemas para as tiras, Walt Disney sugeriu ao cartunista responsável, Floyd Gottfredson, uma primeira série composta de tentativas frustradas de suicídio do personagem, sempre com resultados inesperados.Fica o registro do quanto o senso de humor mudou nesse tempo. Será que foi pra melhor?
Tirado daqui.
Clique nas tiras para vê-las melhor.
terça-feira, agosto 07, 2007
quarta-feira, agosto 01, 2007
Mutatis Mutantis
Eu nunca pensei que veria um show dos Mutantes. Para mim seria algo parecido com um show dos Beatles, porém sem intervenções mediúnicas.
No meu gosto musical, os Mutantes têm a mesma importância de bandas clássicas, como os “fab four”, The Who, Cream e Beach Boys no que diz respeito às boas melodias preenchidas com criatividade, competência e lisergia.
Pensar que Os Mutantes eram contemporâneos destes e que faziam um som de ponta (talvez até para os padrões de hoje), adicionando brasilidade é questão de orgulho.
Mas há um mês atrás, tive o privilégio de vê-los no Circo Voador e, lhes garanto, foi o melhor show de grupo brasileiro que já vi em minha vida! Talvez um dos melhores que já vi.
Além dos originais Sérgio Dias (Batista) nas guitarras, Arnaldo (Batista) Dias no teclado e Dinho baterista, esta formação contou com a “nova mutante”, Zélia Duncan nos vocais, no lugar de Rita Lee. A excelente banda de apoio era composta por mais um tecladista, um multi-instrumentista, um baixista e um casal de backing vocals. Uma banda afiadíssima, que tocou com competência todas as intricadas músicas do grupo.
Hoje, os Mutantes são indiscutivelmente capitaneados por Sérgio, que é quem mais interage com o público. É um guitar hero na acepção da palavra, além de inteligente a ponto de mudar a letra de “el justiciero” na hora, envolvendo Lula, milícias e a cidade partida do Rio.
A platéia foi das mais carinhosas com o grupo, com direito a uma atitude setentista de uma fã, que fez topless. Um breve momento Woodstock naquela noite. Tal carinho e empatia do público fez com que Arnaldo vibrasse a ponto de surpreender ao público, “pagando dez” flexões no fim do show.
Carinho talvez seja a maior definição da função de Zélia no grupo. Ela não tem a menor intenção de substituir Rita, embora pudesse com toda a competência que demonstrou no show – e olha que soube que estava doente ao ponto de ser internada logo após! Mas Zélia é a responsável pelos momentos “cool” do show além de ser a representante dos fãs dos Mutantes ali, alguém que está lisonjeada em estar no meio dos irmãos gênios. Sua interação com a banda é de admiração e alegria, plenamente correspondida com o carinho e o afago merecido a quem já faz parte da banda.
O desafio dos Mutantes hoje é ignorar a sombra do passado e mostrar que é uma banda criativa hoje. Vontade e competência são mostradas às sobras no show. Só nos resta ver se os egos, a idade e as manias não transformaram este retorno em algo apenas passageiro.
Após o show, encontramos Rodrigo Amarante. Figura simpaticíssima. Tirou foto com My Dearest, elogiou minha camisa e travamos o seguinte diálogo (?) no final.
- E aí, daqui a pouco são vocês arrebentando neste palco?
Amarante abaixa a cabeça e sorri amarelo.
Xiiiiiiiiiiii!
segunda-feira, julho 30, 2007
sexta-feira, julho 27, 2007
Hoje eu li.
PEQUENO DICIONÁRIO POLÍTICO
.DIREITA (s.f.): Grupo formado por pessoas que crêem que, da escravização dos índios ao encilhamento de inícios da República, a culpa por todas as mazelas nacionais deve ser atribuída a Lula.
ESQUERDA (s.f.): Grupo formado por pessoas que, por exemplo, vêem Lula sacar um revólver e dar um tiro à queima-roupa na cabeça de um sujeito e, ao analisar o fato, afirmam que a culpa pelo assassinato deve ser atribuída exclusivamente à mídia.
postado por Marconi Leal # 7/27/2007 12:15:00 PM
Daqui.
segunda-feira, julho 23, 2007
Amizade em dois tempos
"Agora que estamos de partida para muito longe, eu e minha esposa resolvemos reunir todos vocês pra dizer do quanto vocês são importantes para nós. Nesses últimos seis anos, sempre pensamos em vocês nas horas difíceis, sempre fizemos questão que estivessem em nossa casa e agora não deixará de ser diferente.
Eu sempre tive uma família maravilhosa, mas eu tive o privilégio de ter as melhores amizades enquanto vivi aqui, o que na verdade aumentou a minha família.
O meu pedido é que pensem em nós durante esses dois anos e estejam certos que estaremos pensando em vocês também. Não nos esqueçam e saibam que todos vocês já têm um encontro marcado conosco, todas as vezes que voltarmos".
Z e I ao se despedirem das trinta pessoas em seu bota fora, ao partirem para o exterior.
O vídeo acima me foi mostrado neste domingo a noite, quando foi pregado acerca da amizade. Pra quem não sabe, mostra a história de um pai e filho, este com grande paralisia cerebral decorrente de problemas de parto.
Com o filho já adulto, o pai lhe faz a promessa: -peça o que quiser e eu farei! O resultado é de mais de duas centenas de maratonas e oito "iron man" percorridos.Nesta mesma mensagem, foi lido este texto.
Evangelho de João, capítulo 15.
| 9 | Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor. |
| 10 | Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. |
| 11 | Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. |
| 12 | O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. |
| 13 | Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. |
| 14 | Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. |
| 15 | Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. |
| 16 | Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. |
| 17 | Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros. |
Todos nós nos consideramos experts na amizade. Muito se tem teorizado sobre ela e talvez mais um a falar não seja nada mais que perpetuar o lugar comum. Mas eu tenho algo a declarar hoje ainda.
Um amigo não é apenas um número, um dado numa rede de relacionamentos, aliás relacionar-se é apenas parte da amizade, que não é sufocada por tempo e distância.
Uma pessoa feliz é aquela que tem poucos, mas bons amigos, pois amigos verdadeiros, estes são coisas raras. Quem se diz uma pessoa de muitos amigos, não sabe de fato o que é a amizade.
A amizade é convidar alguém para a sua intimidade, para saber de coisas, para participar de fatos que a família, com a sua imagem a zelar, muitas vezes não pode saber.
A amizade é estar pronto pra agir em pró do amigo, mesmo não sabendo quando, mas nunca omitir-se. Amizade é sacrifício, pois quem só faz o absolutamente necessário não é amigo, é coleguinha, ou gente boa. Amigo não é bom, amigo é verdadeiro.
Por amigos perdi noites de sono.
Perdi dinheiro.
Botei a preguiça de lado.
Me meti nas mais diferentes furadas.
Já trouxe para casa lenços encharcados de lágrima.
Mas meus amigos já ampararam minhas lágrimas.
Já me fizeram sorrir em meio a grande sofrimento.
Já me disseram as verdades que precisava ouvir e não as que queria.
Já me perdoaram.
E sempre foram verdadeiros.
Acima de tudo, pelos amigos, aqueles que surgiram sem laços de amor comigo, foi através de cada gesto de carinhos destes que vivi o amor que Deus tem por mim, por isso eu sei que quem tem bons amigos, não importa quantos, está mais próximo do aconchego e do carinho do Pai, pois amigos, antes de tudo, são instrumentos de Deus.
domingo, julho 22, 2007
MORREU acm
quarta-feira, julho 18, 2007
Barbeio-me,visto-me, calço-me.
É meu último dia: um
dia cortado de nenhum pressentimento.
Tudo funciona como sempre.
Saio para a rua. Vou morrer.
(...)Pela última vez miro a cidade.
Ainda posso desistir, adiar a morte,
não tomar esse carro. Não seguir para.
Posso voltar, dizer: amigos,
esqueci um papel, não há viagem,
ir ao cassino, ler um livro.
Mas tomo o carro. Indico o lugar
onde algo espera. O campo. Refletores.
Passo entre mármores, vidro, aço cromado.
Subo uma escada. Curvo-me. Penetro
no interior da morte.
A morte dispôs poltronas para o conforto
da espera. Aqui se encontram os que vão morrer e não sabem.
Jornais,café, chicletes, algodão para o ouvido,
pequenos serviços cercam de delicadeza
nossos corpos amarrados.
(...) Vivo
meu instante final e é como
se vivesse há muitos anos
antes e depois de hoje
uma contínua vida irrefreável,
onde não houvesse pausas, síncopes, sonos,
tão macia na noite é esta máquina e tão facilmente ela corta
blocos cada vez maiores de ar.
(...) Sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas,
ligado à terra pela memória e pelo costume dos músculos,
carne em breve explodindo.
Ó brancura, serenidade sob a violência
da morte sem aviso prévio
(....) golpe vibrado no ar, lâmina de vento
no pescoço, raio
choque estrondo fulguração
rolamos pulverizados
caio verticalmente e me transformo em notícia"
(Carlos Drummond de Andrade, "Morte no Avião" - trechos)
terça-feira, julho 17, 2007
Plantemos nossos pés, firmes, nessa vida
Reconheçamo-a como plena idiossincrasia
Busquemos o sublime celeste
Desejando alegrar a carne
Exercitemos nossas mentes
Impulsionados pelos instintos
Elaboremos nossos discursos
Abafados por gestos abruptos
Ufanemo-nos de nossa humildade
Elevada dentre nossos pares
Preocupemo-nos com o pobre
Desejando as nossas riquezas usar
Pensemos em preservar
Gostando do estrago
Adornemo-nos com a sinceridade
Vivendo a descarada hipocrisia
segunda-feira, julho 16, 2007
domingo, julho 15, 2007
sábado, julho 14, 2007
PANcadão de abertura
Eita, platéia isenta!!!
sexta-feira, julho 13, 2007
terça-feira, julho 10, 2007
sábado, julho 07, 2007
Você decide
Abaixo, estão duas imagens de My Dearest, que é de muitos conhecida. Uma é o seu "auto-retrato", a outra foi feita por mim. Quem vai decidir qual das imagens é a mais parecida com ela é você que vem aqui. Basta postar a sua opinião nos comentários. Se quiser, vocês podem apostar em quem fez cada um dos retratos.
No fim do mês, eu digo quem fez o quê. Até lá, deem sua opinião.
Qual é a mais parecida com My D?
quinta-feira, julho 05, 2007
Vivendo em Springfield
Gostaria de ver como vocês seriam. Quem criar o seu, favor mandar link com a imagem, ok?
Som na caixa, seu mané!
Duvido você não ficar emocionado ao ver este vídeo.
Johnny Cash - Hurt (Nine Inch Nails cover)
I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar's thing
Try to kill it all away
But I remember everything
What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I can not repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here
What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end
And You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way
Este foi o último vídeo gravado por Johnny Cash. Sabendo da trajetória de sua vida, tem-se a certeza do porquê essa música, mesmo sendo de outro artista, tornou-se tão pessoal.
quinta-feira, junho 28, 2007
quarta-feira, junho 27, 2007
Hoje eu li...
"Quanto aos blogs, ainda os vejo como uma plataforma da grafomania ególatra e onfalocêntrica (ônfalo é umbigo em grego). São tantos blogs — alguns bons, ótimos, mesmo — que não dá tempo de acompanhá-los. Mas a maioria é feita por gente medíocre, vaidosa, semi-analfabeta e ressentida com a falta de oportunidade na chamada mídia mainstream"
Eu não teria dito melhor!
segunda-feira, junho 25, 2007
Sucessões hermânicas
Como deve ser de conhecimento da maioria aqui, os Los Hermanos estão dando um tempo, num recesso por tempo indeterminado. Grande parte dos fãs, cultuadores da banda pensam no pior, imaginando que seja apenas uma desculpa esfarrapada para não dizer que acabaram de vez.
Caso você seja um desses, cabe a leitura desse post, que vai te mostrar dois possíveis sucessores a esse fenômeno que foi ou é o LH.
Há cerca de 20 dias fomos, eu, My Dearest e sua amiga L, direto de Fortal, conferir uma dobradinha de shows no Circo Voador: Kassim + 2 e Mombojó.
Kassim + 2 é o terceiro projeto do trio composto pelo próprio, Moreno Veloso (filho do homem) e Domenico. O primeiro disco foi capitaneado por Moreno, portanto foi chamado de Moreno + 2, o segundo foi a vez de Domenico + 2 e agora é a vez de Kassim. Isso quando os três não se juntam à Adriana Calcanhoto, que chama esta formação de + ela (ou, nas internas, de Adriana + 3). Tudo bonitinho, democrático e aritmético... not!
Bom, mas se o que interessa é falar de substitutos para o LH, vale ressaltar que Kassim foi o produtor de dois dos discos dos caras: bloco do eu sozinho e ventura. Ao ouvir as músicas de Kassim, é impossível não notar o quanto é responsável pela sonoridade Hermânica tão consagrada. O problema é que, como cantor, Kassim é um ótimo compositor.
O ponto alto do show foi quando Moreno e Domenico assumiram o vocal nas suas composições, lá pelo miolo do show. Mostraram uma versatilidade maior em melodia e em estilo que Kassim, responsável ela abertura e fechamento do show.
O projeto do + 2, com mais dois ótimos músicos de apoio, é mais pesado que o LH. Utiliza mais samplers e seqüenciadores, abusa da percussão, ignora os metais, mas em todo o momento é brasileiro, é rock + MPB em várias de suas vertentes. Talvez a saída ou solução seja assumirem-se como uma banda mais convencional, com igualdade e democracia na composição, mas utilizando-se dos pontos fortes de cada um dos 3 núcleos do projeto. Ou seja, para de cantar, Kassim!
O segundo show foi dos pernambucanos do Mombojó, dos quais eu já estava geneticamente predisposto a gostar, ao mesmo tempo que me sentia “devedor a mim mesmo” por ainda não mergulhar de cabeça nos sons modernos da terra de meus pais, como Mundo livre S.A., Nação Zumbi, Cascabulho, etc. Esperava que o Mombojó fosse a atualização do mangue beat, ledo engano.
Não que seja ruim, mas o Mombojó é mais conhecidos por suas baladas, estas sim, fortemente Hermânicas, mas como My D pôde constatar in loco, mais abertas quanto à orientação sexual.
O Mombojó possui uma estrutura e visual do mangue beat, mas é sonoricamente muito parecido com os LH, com uma grande vantagem: possuem um frontman carismático.
Não que precisasse, a platéia já estava ganha, sabia todas as letras de cor e interagia em todas as deixas da banda. Sim, a banda já foi adotada pelos indies, o que reforça a candidatura do Mombojó como forte sucessor hermânico, já que corre o mesmo caminho que seus antecessores.
O tempo dirá, principalmente se ser este sucessor é algo bom, ou não.
Som na caixa, seu mané!
Porque esse som é da hora!
Husker Du - Dont Want To Know If You Are Lonely
I'm curious to know exactly how you are
I keep my distance but that distance is too far
It reassures me just to know that you're okay
But i don't want you to go on needing me this way
And i don't want to know if you are lonely
Don't want to know if you are less than lonely
Don't want to know if you are lonely
Don't want to know, don't want to know
The day you left me, left me feeling oh so bad
Still i'm not sure about all the doubts we had
From the beginning we both knew it wouldn't last
Decisions have been made the die has been cast
The phone is ringing and the clock says four a.m.
If it's your friends, well i don't want to hear from them
Please leave your number and a message at the tone
Or you can just go on and leave me alone
“É uma alegria como a de um fim de uma guerra, quando ganhamos”.
As palavras de My Dearest foram o maior resumo do sentimento deste dois dias, um fim de semana de festa, de uma conquista arduamente concretizada nestes últimos seis meses.
No meu coração sabia que quando esse dia chegasse, seria a coroação de um processo que iria transformar não só a minha vida, mas a vida de muitas pessoas que amo, me importo e desejo a vitória, pois a vitória deles é a minha vitória.
E assim foi, antes de hoje, e de ontem também, nos unimos mais, nos respeitamos mais, entendemos que precisamos mais um do outro. Alvos que em determinados momentos pareciam impossíveis, se concretizaram como se num milagre. Pra falar a verdade, foi um milagre sim.
Mas não sem antes passarmos por dor, discussões, intrigas, inimizades, por muito choro e desabafo, por alguma violência, mas, acima de tudo, por muitas provações. A sensação de tempo foi perdida, a bagagem que vivemos não foi a de seis meses, mas de seis anos.
E qual o saldo que temos então? Unanimidades, reconhecimento, gratidão e honra a quem suportou e perseverou. Algumas pessoas mostraram quem são de fato, e lamento por isso. Também temos um questionamento que nos foi tão bem resumido hoje de manhã por EM: “qual é a sua”?
Agora é a hora, de como foi dito, andar sob o amparo, a alegria e o amor de quem viveu “o vale da sombra da morte”, de considerar as palavras e principalmente a vida de quem optou por deixar de viver a sua vida e passou a viver os sonhos de Deus. É a hora do pastoreio.
quinta-feira, junho 21, 2007
Hoje eu li...
não troca de discurso,
evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajeto
e as mesmas compras no supermercado.
Quem não troca de marca,
não arrisca vestir uma cor nova,
não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos nos "is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos."
Pablo Neruda
terça-feira, junho 19, 2007
Carlos Drummond de Andrade
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”
As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:
e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;
como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.
Este poema foi escolhido como o melhor poema brasileiro de todos os tempos por um grupo significativo de escritores e críticos, a pedido do caderno “MAIS” (edição de 02-01-2000), publicado aos domingos pelo jornal “Folha de São Paulo”. Publicado originalmente no livro “Claro Enigma”, o texto acima foi extraído do livro “Nova Reunião”, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1985, pág. 300.
sábado, junho 16, 2007
A madrugada entra e os pensamentos saem
Pra que existem os formalismos, os símbolos, os rituais? Eles se bastam em si? Será que todos esses memoriais que pensamos (nós os humanos) em guardar tem valia quando faltam a base, a vontade ou o sentimento que os gera?
Acho que nestes casos, nem passam perto de boas memórias, mas de contundentes assombrações, as vezes, ainda sendo pagas no cartão de crédito e no cheque pré.
Tem um filme em que o Jack Nicholson faz um papel inspirado no general Oliver North, do escândalo do irangate (não sabe? Wikipedia nisso!). Numa cena de tribunal, ele berra mais ou menos assim para um acuado Tom Cruise. E eu ouvi muito bem.
- Do you want the truth?! You know nothing about the truth! You can’t handle the truth!
Desde então, depois que – ao ouvir - quase fiz nas calças já na minha tenra adolescência, eu aprendi que a verdade deve ser creditada a Quem é devido. Eu é que não sou digno desse crédito!
De vez em quando Deus pode realmente estar proporcionando coisas boas a quem acha que não merece. Que é que se pode fazer?
Aproveita!
Também tem aquela história do Pequeno Príncipe, que dizia que “as pessoas são responsáveis por quem cativam”. Eita, menino sabido! Mas tão fora de moda no circuito das misses, princesas e afins (possivelmente com seus correlatos masculinos também) hoje em dia.
Ainda bem que tem sempre um desenho novo do Shrek pra lembrar o ogro que eu sou!
Vivi tanto tempo pra só hoje descobrir que o louco e o teimoso tem tanto em comum: não escutam a ninguém a não ser a si próprios.
Mas há muito tempo eu sei que as palavras podem não ter endereço nenhum, mas podem bater de porta em porta... com passagem garantida!
quarta-feira, junho 13, 2007
Canonizações diárias
Mais do que nunca, está decidido: serei um santo!
Não, não tenho a menor pretensão de fazer uma cota de milagres por aí, mas se Deus me permitir, assim será.
Também não tenho a menor intenção de ser uma pessoa pura e inocente, quase alheia a tudo e a todos, apesar de, como diz o ditado, a ignorância ser uma bênção. Já vivi demais pra ter essa pretensão.
Talvez o conceito de santidade seja estranho para você, pois geralmente se associa a estas duas expressões – errôneas – que escrevi acima: milagres e pureza (ou inocência).
Mas o conceito etimológico da palavra santo quer dizer separado, destacado, ou melhor, aquele que não toma parte.
Na sua prática, a santidade tem um componente fundamental e raro para os dias de hoje: a ética. Sim, em sua essência, o homem santo é aquele que é ético. Ético em todas as coisas da sua vida.
Um homem santo é aquele que tem moral para condenar a corrupção desse mundo, pois age de forma honesta e, claro, ética em todos os aspectos de sua vida. Não reproduz em menor escala a corrupção no atacado que ele vê.
Ele se preocupa com o bem estar dos que estão ao seu redor e é uma pessoa que influi positivamente nestes. É capaz de até mesmo renegar à sua cultura, naquilo que fere a ética, que fere o que é mais correto a ser feito.
Um homem santo não é reconhecido por atitudes pontuais, ou por milagres esporádicos, ele não é alvo de preces. Simplesmente, ele é alguém que entende que ser santo é um objetivo de vida, de um processo tão ignorado nesse mundo, chamado de santificação. Se ele vais er reconhecido pelos outros como santo, é um mero detalhe.
Santificação esta que traz independência de raciocínio, que traz autonomia de conclusões e que, sobretudo, traz em si uma ética tão rara nesse mundo. No mais, Ele mesmo ordenou.
“Sede santos, porque Eu sou santo”.
Que moral, né?
sexta-feira, junho 01, 2007
Som na caixa, seu mané!
Don't Give Up - Peter Gabriel and Kate Bush
In this proud land we grew up strong
we were wanted all along
I was taught to fight
taught to win
I never thought I could fail.
No fight left or so it seems
I am a man whose dreams have all deserted
I've changed my face
I've changed my name
But no one wants you when you lose.
Don't give up - 'cause you have friends
Don't give up - you're not beaten yet
Don't give up - I know you can make it good.
Though I saw it all around
never thought that I could be affected
Thought that we'd be last to go
it is so strange the way things turn.
Drove the night toward my home
the place that I was born on the lakeside
As daylight broke I saw the earth
the trees had burned down to the ground.
Don't give up - you still have us
Don't give up - we don't need much of anything
Don't give up - 'cause somewhere there's a place where we belong.
Rest your head
you worry too much
it's going to be alright.
When times get rough you can fall back on us
Don't give up
please, don't give up!
Got to walk out of here
I can't take anymore
Going to stand on that bridge
keep my eyes down below.
Whatever may come and whatever may go -
That river's flowing
that river's flowing.
Moved on to another town
tried hard to settle down
For every job so many men
so many men no one needs.
Don't give up - 'cause you have friends
Don't give up - you're not the only one
Don't give up - no reason to be ashamed
Don't give up - you still have us.
Don't give up now - we're proud of who you are
Don't give up - you know it's never been easy
Don't give up - 'cause I believe there's a place
There's a place where we belong
Resposta (s) de direito.
2. (Não relacionada com 1) - Antes uma colocação acerca do óbvio: perante minhas opiniões, três posturas podem ser tomadas: concordar, discordar ou ignorar. Nem eu mesmo me dou tanta importância assim, aliás, acho que nenhum ser humano vai mudar o mundo com suas palavras, muita gente já tentou e muita gente fala - e como fala! - dentro e fora dessa blogosfera em vão. Portanto, se divirtam aqui, parem pra pensar com o que falo, pois pensar é existir e crescer, mas acima de tudo, não me levem tão a sério.
Portanto seguem as palavras que eu considero.
1 Coríntios 13
| 4 | O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. |
| 5 | Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; |
| 6 | Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; |
| 7 | Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. |
Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão. Provérbios 17:17
O homem de muitos amigos deve mostrar-se amigável, mas há um amigo mais chegado do que um irmão. Provérbios 18:24
Como o ferro com ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo. Provérbios 27:17
João 15
| 12 | O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. |
| 13 | Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. |
| 14 | Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. |
| 15 | Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. |




















