Quem vigia as sentinelas?O
moto da série de HQ Watchmen, de Allan Moore, trata de uma realidade da guerra fria, onde super – heróis eram armas de destruição em massa, grandes poderes destinados a manter a ordem, mas, que na verdade, causavam um medo ainda maior por serem incontroláveis pelo poder que possuíam.
Manter a ordem, hoje e sempre tem sido uma necessidade social, o que me espanta é a evidência dos mecanismos criados para este fim, verdadeiras sentinelas: CPIs, auditorias, imprensa, comissões de ética...
De maneira nenhuma sou contra a existência destes, mas quem garante o limite entre a denúncia fundamentada e a leviana? Quem é capaz de distinguir entre investigação e denuncismo? Quem vigia a sentinela em tempos em que a população / platéia está tão “ávida por sangue”, por anos e anos de injustiça e corrupção generalizada, ou por um moralismo hipócrita, em que alguns valores são apaixonadamente defendidos enquanto outros, tão importantes quanto, são solenemente postos de lado?
Quem são os vigilantes? São sempre pessoas idôneas e imparciais? Possuem sempre o distanciamento ético necessário ao tratar de assuntos pertinentes?
Muitas vezes não.
O que observo hoje é o exercício da vigilância baseado no antagonismo (dentre estes a oposição política), no sensacionalismo visando à publicidade e, é claro,
nos rancores que se originam sabe lá o porquê.
Que bom que temos as sentinelas! Antes, aqui no Brasil, sequer as tínhamos, mas agora, quem prepara e escolhe as sentinelas? E ainda, quem vigia as sentinelas?
Será que chegou o tempo em que, todos nós, teremos medos das sentinelas?