Apesar de não tocar nenhum instrumento, minha relação com música é visceral, como esse blog mostra bem.
Música pra mim é algo facilmente relacionado a pessoas, lugares, épocas. Algumas da já postadas abaixo representam isso.
Não sou uma versão tupiniquim do protagonista de “Alta Fidelidade” (High Fidelity, de Nick Hornby), no cinema interpretado pelo John Cusack, mas a idéia de fazer um top 5 pra cada parte da vida ou trabalhar numa loja de discos (minha Disneylândia), seria tentadora. Quem me dera! Também gosto de gravar cds pra quem gosto, mas poucos os receberam, numa mistura de preguiça e de relação meio que religiosa com a música, tipo: “será que eles vão entender o que quero dizer com isso?”
Como assim dizer? Se nunca fui compositor de porcaria nenhuma!
É porque a música, como a literatura em todas as suas formas, apela ao seu subjetivo, à construção de uma imagem, de uma particular interpretação da mensagem. Ou seja, uma vez que a ouvimos, somos um pouco donos da música.
E minhas posses são respeitáveis nessa área, desculpa a falta de modéstia. Mas conheço gente melhor que eu sim.
Minha história com música é interessante, por ser temporão, via minhas irmãs adolescentes e seus amigos sempre lá em casa pra gravar fitas cassetes (lembra?), acho que tínhamos o único 3 em 1 (lembra?) da vizinhança e estes amigos levavam LPs (lembram?) como os da LK tel, com o melhor da disco music, ou rock progressivo, com os mais curiosos resultados sobre mim. Me lembro de ter chorado de medo com as músicas e a capa do “Voyage to the center of the Earth”, do Rick Wakeman.
Será que fui alvo de alguma experiência da parte deles, pra me deixar meio doido?
Então, na minha infância, enquanto meus colegas curtiam a boa música infantil de Vinícius (Arca de Noé) ou Plunc Plact Zum, eu ouvia as mais pedidas da Rádio Cidade, ansioso pela disputa do primeiro lugar entre o Queen (Love of my life, versão ao vivo, voz e violão), Love United Orchestra, a banda do Barry White ( I’m so glad that I’m a woman) ou Elis (Alô, alô marciano). Ficava ouvindo vidrado, olhando os aviões passando pertinho da janela do meu quarto, na minha segunda casa, agora um apartamento.
Viram que memória? Mas só pra música e pro que vem junto a ela, infelizmente.
Nos badalados anos 80, comprei meu primeiro disco: Thriller (ah! Se eu soubesse!), um ano depois, ouvi um programa na rádio que mudou minha vida: “60 minutos de música contemporânea”, com a Mônica Venerabile, de novo na rádio cidade, era na hora do almoço. Ainda não conhecia a maldita, Fluminense FM, mas através deste programa, ouvi pela primeira vez o pós-punk da época e a primeira banda que mudou minha vida: The Smiths!
Hoje, esta Mônica, ou Moniquinha, apresenta programas populares na AM e na Rádio Cidade e nas outras FMs só baba e Jabá. Parece que o tempo não passou no radio brasileiro.
Mas eu não esperei o rádio. Daquele dia até hoje, em tempo de MP3 e Internet, pego tudo que é novo ou recomendado por quem respeito. Experimento mesmo, me diferenciei do gosto popular.
Tanto que quem anda comigo de carro sofre, não conhece a maioria das músicas que toca no meu som (ainda mais agora que ele está tocando meus mp3) e mostram alívio, quando raramente aparece uma conhecida no caminho. Só penso: “queria que vissem quanta coisa boa tem lá fora!”
E não é que isso não é uma boa filosofia de vida, não só pra música!
Ah sim! O velho 3 em 1 ainda existe. Só funciona o rádio, mas coloca um som ambiente limpinho quando ligado. E assim que souber como, esse blog terá seu podcast.