E ele estava ali pra todo mudo ver.
Como uma ferida aberta ou o bêbado da praça, algo de que se desviam os olhos à menor vista. Um farrapo, algo disforme, chamado de homem.
Sua fronte baixa, com as sombras a desenhar suas expressões, descuidadamente mascaradas. Sulcos com nomes de mágoas, rugas chamadas de tristeza num cenário de flacidez pela total ausência de vigor.
Prendeu a respiração, enclausurou o choro com medo do escárnio dos homens. Preferiu abraçar esse sentimento tão cruel que é fingir que está tudo bem.
Em certos momentos move-se como se quisesse se erguer, apóia-se numa coragem vinda sabe Deus de onde, apega-se a esperança da passagem dos dias, palpando um amanhã pra viver de cabeça erguida.
Para sentir o vento frio em suas costas e encolher-se à realidade. Sente o punhal da juventude roubada a aprofundar-se cada vez mais na alma, sente a dor da “experiência de vida” adquirida com tanta dor, que sequer serve para ensinar aos outros.
Sabe que é da caridade de poucos que tem a simpatia, como migalha dada aos pombos, efêmero é. Tornou-se aquele tipo de pessoa que confunde-se a paisagem, um mero figurante a viver sua tragédia pessoal.
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Listening to: Chico Buarque - Vai Passar
via FoxyTunes

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