Tá, eu sei que ele nunca vai ler isso aqui, mas o blog é meu e eu posso ao menos escrever, tá certo?
Sr. Presidente.
Vossa excelência acaba de ser reeleito. Minhas felicitações por ter sido contemplado neste processo democrático.
Como cidadão brasileiro gostaria de lhe pedir um favor: lembre. Sim, apenas isso, lembre. Um pedido muito simples.
Lembre que existiu um segundo turno porque vossa excelência foi incapaz de chamar seu partido à ética e à moralidade, porque não o lembrou de que ele, o PT, incubiu-se, quando oposição, de ser um contraponto a todas as práticas escusas dos 300 picaretas denunciados no passado por vossa excelência.
Vossa excelência pode muito bem ser inocente e ter sido ignorante de toda a corrupção que ocorreu nas salas próximas da sua, mas de forma nenhuma poderá lamentar os “amigos” perdidos e perseguidos nas investigações. Estes não são seus amigos, vossa excelência não pode associar-se senão com aqueles acima de qualquer suspeita, estes foram traidores de sua amizade e do seu sonho de construir um país melhor.
Da mesma forma não poderá nunca se esquecer do peso de sua palavra e da sua história. Senhor presidente, vossa excelência tem a obrigação de exigir dos seus correligionários a lisura e a honestidade plenas. Essa é a sua obrigação.
Lembre-se também, senhor presidente, de quem o senhor foi. Sim, lembre-se que vossa excelência foi para São Paulo em um pau-de-arara que partiu de Caetés, que perdeu uma esposa em um hospital público e um dedo em uma fábrica. Lembre-se que já foi um sapo barbudo antes de ser paz e amor.
Lembre-se de que, se confiamos em vossa excelência é porque entendemos que seu conhecimento do que é o povo brasileiro não é teórico, mas prático. Acreditamos quando vossa excelência diz que passou fome, que não conhece bem as letras, até achamos os erros de português de vossa excelência simpáticos, toleramos os palavrões constantes e até a bebida, porque fazem de vossa excelência alguém mais humano, mais povo. Alguém que poderíamos ter conhecido alguma vez na vida, com quem nos identificaríamos e poderíamos conversar de igual para igual.
Lembre-se de quem o senhor foi para que aquele que irá se tornar seja correto. Vossa excelência, não se deslumbre! Não se iluda!
Até porque, vossa excelência, lembre-se da memória do povo. Lembre-se que é este mesmo povo que lhe deu o voto de confiança por mais quatro anos que saberá lhe cobrar e até protestar contra vossa excelência. Acima de tudo, é este povo que saberá lhe dar o devido lugar na história, como estadista, ou como vergonha nacional.
Sem mais, despeço-me.

















