
Na pressa de soltar a “rolha”, acabei falando de quem ama na forma de uma anulação, obsessão, razão para viver atribuída à pessoa amada, o que me assusta. Mas nada falei de quem é o alvo desse tipo de amor.
Tendo como pressuposto toda a minha nêura escrita aqui para falar sobre isso (já falei, post anterior!), talvez pra falar desse outro lado é que eu me sinta desconfortável mesmo até pra começar.
Desconfortável, essa é a palavra chave. Porque me causa desconforto e até me assusta também estar numa posição de ser a razão de viver ou a principal fonte de alegria de outra pessoa. Acho uma responsabilidade e, por conseqüência, um fardo muito grande pra alguém suportar. Eu não gosto e não quero.
Somos falhos, temos defeitos, um dia desses nossos atrativos se esgotam... e aí? O que é que sobra numa relação desigual como essas? Essa estrutura em que um está (lá) embaixo, porque adora e o outro está acima, por ser adorado, como é que resulta?
Acho que a resposta tá numa história que acabei de lembrar.
Uma vez fui na homenagem de um grande homem, que se aposentava. Nesta o mestre de cerimônias, fez menção à esposa do homenageado, com o chavão: “por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher”.
Mais tarde, o orador da noite, renomado no Brasil todo, começa a falar: “Não conheço o homenageado, nada sei da sua história, mas um único fato me mostra o seu caráter. Quando foi dito que sua esposa esteve por trás dele, agora há pouco, ele, baixinho, declarou: “atrás não, do lado.””
Será que não é essa a forma correta de amar, não buscar quem fique à sua frente ou atrás, mas ao seu lado?
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2 comentários:
antes e um tanto azeda... mais até mais tarde a limonada fica bem docinha, pode esperar! ;)*
ah! preciso falar: vc continua escrevendo muito bem... é que algumas vezes os leitores nem sempre "sabem ler", hehehehe...
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