Otimista, enfim - João Ximenes Braga - 6/5/2006
Embora tudo indique que, a esta altura, a carreira política da família Garotinho esteja encerrada (o próprio admitiu ontem que sua candidatura só é salva por um milagre), fato é que eles estão longe de serem os únicos políticos que usam a religião para angariar eleitores.
Isso funciona a partir de uma verdade muito simples: todo cristão é uma pessoa de bem. Isso é incontestável. Uma pessoa que de fato siga os preceitos do cristianismo não pode deixar de ser honesta e de querer o bem alheio. Mesmo quem não tem fé, ou segue outra religião, não pode negar isso. Quando muito, pode-se fazer a ressalva de que alguns cristãos que se creem sinceros erram ao partir para a intolerância contra os não-cristãos, erram ao querer que todos sigam seus preceitos em questões tocantes a liberdades individuais.
Mas a grande questão é: justamente por a supramencionada verdade ser tão simples e incontestável, fica muito fácil se dizer cristão para se aproveitar dela. O grande desafio para o eleitor cristão é perceber quais políticos estão apenas usando o nome Dele em vão. Para evitar cair em armadilhas, o melhor é não se deixar levar por quem mistura religião e política, ponto.
Pelo atual cenário político, é nítido que muita gente boa tem seguido a lógica da credulidade, acreditando, na hora de votar, que se dizer cristão é a mesma coisa que ser cristão. Diante dos novos fatos, porém, não há mais espaço para que os eleitores cristãos sigam essa lógica. Por mais que esses políticos se digam perseguidos por serem cristãos e assim garantam a fidelidade de parte do rebanho, acredito que a tendência é esse efeito ser minimizado daqui para frente. Diante de tantos políticos cristãos incriminados na operação sanguessuga, não é possível que seus eleitores não comecem a duvidar do seu discurso. Sei, estou sendo otimista. Não custa, de vez em quando.
Assim, quem sabe, nos vemos livres de repetir a situação das últimas eleições para prefeito. Crivella, graças unicamente a seu discurso religioso, conseguiu amealhar uma grande massa de eleitores. Mas não tinha chances reais de ganhar, tamanha era sua rejeição. A conseqüência disso foi a reeleição de César Maia. Uma vez que o discurso religioso perca seu efeito, a tendência é abrir brechas para que o Rio de Janeiro saia do círculo vicioso político em que se encontra.
Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!
segunda-feira, maio 08, 2006
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Fonte: http://oglobo.globo.com/online/blogs/ximenes/
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