Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!

terça-feira, maio 09, 2006

Certas declarações de amor me assustam


Faz algum tempo que, sem querer, li uma declaração de amor. Não era para mim, não era minha, era pública, mas mesmo assim fiquei constrangido. Não pelo seu teor pessoal, nada se dizia de novo. Não porque fosse brega, até porque é difícil uma declaração de amor que não beire a breguisse (e até nem era o caso).

Fiquei muito constrangido por ver naquela declaração de amor tanta dependência, devoção e até mesmo no exercício do amor a essa determinada outra pessoa uma razão de viver (não que ela não merecesse ser amada e uma declaração de amor).

Na verdade, depois de constrangido, fiquei assustado, porque pensei: “e se essa história acaba?” Tenho que confessar que desde que li até hoje eu senti necessidade de meditar/escrever sobre aqui, mas não posso negar que sequer estou certo sobre o tom que devo usar a respeito, falar sobre esse tipo de amor, esse da autonegação, tornou-se uma “rolha criativa” que me impediu até de pensar em outras coisas dignas de nota aqui.

Qual é a da rolha então? É porque as pessoas lêem isso aqui, mais importante, eu lerei isto aqui no futuro (afinal é o meu diário) e, sei lá! Não sei se sou isento ou romântico o suficiente hoje pra falar do amor entre homem e mulher, já fui mais. Poderia atalhar e dizer que é por causa da idade, mas foi a vida mesmo e esta, não acabou e dá voltas freqüentes. Eu sei que poderia ser bem pior neste assunto, mas não sei ao certo se me contento nesta área como quem sou hoje. Sacou a crise?

Bom, direto ao ponto, não sei se pessoas assim se amam. Na boa! Não sei mesmo. Ou não sei se amam ser carentes, vítimas, “bichinhos” que tem que ser cuidados e só tem sentido quando encontram um “dono”. Eu sei, sei bem que a solidão é f... mas será que essa anulação também, à longo prazo também não é? Será que não é melhor se amar/investir mais em si próprio? Lembra da história da borboleta e do jardim? Eu sei, é piegas pra caramba! Mas é por aí mesmo que eu penso.

Outros questionamentos: será que amar não tem um componente racional maior do que a gente pensa? Tipo na escolha de quem a gente ama? Na opção por amar aquela “determinada” (por você) pessoa? Será que não é sempre bom lembrar que amar é um investimento e estes, às vezes, dão prejuízos? E até por isso não vale, como “aplicação de baixo risco”, estar investido sempre em si próprio?

Talvez tais questionamentos não tenham uma resposta clara, talvez a minha crise com relação ao amor seja eterna e talvez todos a tenham, afinal, quando se trata de amar, onde sempre se apresenta a paixão, é impossível e inaceitável ser totalmente racional ou passional.

Mas certas declarações de amor me assustam, e a vocês?

Foto da Periferia de Teixeira de Freitas - BA
Tirada por mim, clique nela se quiser vê-la maior

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