Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!
quinta-feira, maio 18, 2006
quarta-feira, maio 17, 2006
Som na caixa, seu mané!
O Vencedor - Composição: Marcelo Camelo
Olha lá quem vem do lado oposto
e vem sem gosto de viver
Olha lá os que os bravos são escravos
sãos e salvos de sofrer
Olha lá quem acha que perder
é ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória
e perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não
vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
só procura abrigo
mas não deixa ninguém ver
Por que será?
Eu que já não sou assim
muito de ganhar
junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz.
terça-feira, maio 16, 2006
O fator LH
Mas qual foi a minha surpresa ao ver a fundição lotada, e me embasbacar ao ver que praticamente todas as músicas eram cantadas por mais da metade dos presentes ali, sem histeria, mas numa clara representação de uma fortíssima relação entre banda
e público.Afinal, qual é a razão que faz com que a turnê de um disco tão introspectivo, com uma banda que tem 3 componentes com a presença de palco de marmotas, cujo quarto, o mais extrovertido, parece querer perpetuar o estilo de dança de Didi Mocó, fazer tanto sucesso?
Penso sucintamente em duas.
Primeira, a ausência de bandas com o mesmo misto de erudição e jovialidade do LH. Se existe algum requinte em letras, geralmente está em artistas jovens que fazem MPB, e nunca a MPB esteve tão pouco P como hoje. Ela se tornou uma cobra atrás do próprio rabo, comandada pelo mesmo esquema gravadoras/artistas/críticos perpetuado desde a década de 60, com apenas reposições de peças, sem nenhuma grande novidade em termos de musicalidade. Daí vê-se como quase passou em branco à volta dos Mutantes. Teve que ter o hype de fora pra rolar matéria no fantástico.
Nessa área, é bom ressaltar que o LH tem apreço pelos medalhões da MPB, quem pára pra realmente ouvir LH, acha muito de Edu Lobo, Chico e Marcos Valle em suas composições. E o que dizer da parceria Marcelo Camelo/Maria Rita, senão como um sinal claro de identificação entre LH e MPB?
Quando nós falamos de bandas jovens hoje, é impossível encontrar algum conteúdo fora do LH. O que na década de 80 era distribuído entre Legião, Paralamas, Titãs e Barão, pra citar só os medalhões, hoje não existe mais. É uma sucessão de Charlie Browns, Pittys e afins, cujo mérito é apenas combinar imagem, atitude e punch como forma de fazer sucesso. É moda, nada mais.
Mas as pessoas querem músicas que marquem momentos, que façam a trilha sonora da vida, não de apenas um verão.
E é aí que entra a segunda razão. O cotidiano das letras do LH é calcado num estilo de vida que não é marginal, tampouco glamouroso, mas em fatos da vida pelos quais todos passam. Durante o show, fiz uma brincadeira mental tentando lembrar em que histórias da minha vida certas músicas se encaixavam. Olha que não foram poucas, até esse blog já testemunhou.
Daí a platéia dos LH ser uma das mais heterogêneas que conheço. Existe a galera simples, os jovens barbudos (dessa vez menos), as patys e boys, as pistoleiras, os emos, os poetas, a galera da rodinha de violão... lista grande, todos satisfeitos.
Afinal, como não se identificar perante tais frases?

“De tanto eu te falar você subverteu o que era um sentimento e assim Fez dele razão... Pra se perder no abismo que é pensar e sentir.”

“Deixa eu brincar de ser feliz,Deixa eu pintar o meu nariz”
“Iaiá, se eu peco é na vontadede ter um amor de verdade.Pois é que assim, em ti, eu me atirei e fui te encontrar pra ver que eu me enganei.”

A relação entre LH e seus fãs, a meu ver, começa a encontrar apenas um paralelo na história recente da música brasileira, a dos fãs do Legião Urbana.
Fãs não são racionais, se submetem a “sacrifícios” e esforços pelo seu ídolo. É difícil argumentar com estes, pedir senso crítico de quem está seriamente prejudicado a ver defeitos no ídolo, até porque é difícil entender porque alguém é fã se não for, da mesma forma, um fã também.
Entendendo isso e o paralelo entre LH e LU, viu-se, nos fãs destes últimos, uma aceitação não crítica dos últimos trabalhos, até mesmo os pós-mórtem do Renato Russo, quando a banda(?) estava vivendo, para quem não era fã, uma fase depressiva e pouco criativa musicalmente.
Com relação ao LH, com a desculpa de uma experimentação musical, vejo uma queda no padrão melódico da banda e, principalmente, da parte do Rodrigo Amarante, uma despreocupação em se fazer entender ou em equilibrar letra e música. Parece que o LH ouviu a crítica sempre positiva, o incenso subiu à cabeça. E agora, o que vai dar?
Bom, para mim, eles ainda têm um saldo bom na minha consideração.
sábado, maio 13, 2006
Notícia velha
Há quase um mês, o orkut disponibilizou um recurso que deixou muita gente em polvorosa, trata-se da possibilidade de saber as cinco últimas pessoas que acessaram seu perfil, além de registrar as visualizações desde fevereiro deste ano, da semana e do dia anterior.O orkut é movido pelo voyeurismo. talvez mais do que reencontrar e conhecer pessoas, o tal círculo ou rede de amigos, como tratam, o que atrai a quem tem tempo e interesse é a capacidade de se manter informado do que se passa na vida alheia, e sem intermediários.
Pra muita gente é um incômodo enorme tamanha e indiscriminada bisbilhotagem, daí os quadros de recados apagados (o que era pra ser o correto, foi projetado pra ser assim), perfis enxutos e contas encerradas.
Na verdade, nada mudou. As notícias sobre a vida alheia sempre correram, só que agora mais rápidas e mais democraticamente, afinal, vivemos na era da informação e quem deve, teme, e hoje ainda mais.
Mas o que me deixou mais curioso, além de ver pessoas que nunca vi na vida vendo meu orkut (supondo que o recurso funcione perfeitamente – coisa rara num programa beta), foi ver a quantidade de pessoas que vão à minha página lá. Certos dias, muito mais do que eu já imaginei. Sei lá, não deve ser verdade!
Bom seria se viessem aqui também.
P.s.: Pra quem quer saber pra que o orkut foi feito, confira: www.joga.com somos apenas cobaias. Ah sim! Lá não tem bad Server. Você pode entrar com sua ID do Google sem problema, como se fosse no orkut.
Foto do post: http://fotosite.terra.com.br/images_new/colunistas/2006_05_11/foto3_281.jpg
quinta-feira, maio 11, 2006
Nota mental
Desconstrução

Antes do assunto propriamente dito, uma breve introdução.
Comecei a pensar em escrever este post duas noites atrás, mas como uma forma de concluir o papo que tinha com BV, enquanto a levava para casa. Eu me empolguei com a minha parte da história e nem pude concluir, dizendo o que a minha história, a de uma outra pessoas (que ela me contou) e a dela própria tinham em comum. Então, BV, isso é primariamente pra você.
Mas hoje, entrando no Messenger (coisa rara), conclui que das cinco pessoas com quem conversei, quatro estavam, de uma forma ou de outra, admitindo ou não, total ou parcialmente no mesmo processo.
Então, FG, VL, AN e “minha musa”, peguem carona com BV e comigo nesse post.
Todo mundo sonha, e em nossos sonhos pensamos sempre em ser o máximo.
Na minha primeira infância, vivendo quase na roça, o que me fazia os olhos brilhar era o motorista do ônibus. Então, tava eu lá, colher de pau na mão, fazendo às vezes de volante, sentado na poltrona da sala, fazendo uma viagem imaginária, com direito à troca de marchas e abertura de portas com aquele sistema de ar comprimido barulhento. Via todo o caminho com perfeição, fazia todos os barulhos... até hoje gosto de ônibus e acho que é por causa disso.
Com o tempo, meus sonhos mudaram: rockstar, desenhista famoso, escritor, ganhador do prêmio Nobel... por aí vai. Esses eram os meus, hoje tenho outros e você talvez tenha a sua galeria de sonhos.
Dos quais você nunca ganhou ou realizou.
Sim, é difícil competir e realizar todos os sonhos. Existe aquela crise angustiante destes se distanciarem da gente, e quando era para os sonhos serem mais palpáveis, na chamada vida adulta, estes se encontram mais inviáveis.
É quando se pensa na vida e se vê, que para algo novo e real crescer, são os sonhos que têm que ser desconstruídos e dói se livrar deles, a gente não quer.
Mas eles tiveram sua função, fizeram nossos olhos brilharem, nos deram uma (dês)medida de ambição, trabalharam nosso eu lúdico, mas tem a hora de dizer: dá licença! Deixa a minha realidade passar.
Processo que não é tão light assim. É através da infelicidade e frustração que a gente sabe que algo tem que mudar, só que a gente também precisa de uma levantada no ego também, até porque temos a tendência a nos culparmos de coisas das quais não temos sequer controle e fazem parte do cenário que nos faz ser a pessoa que somos hoje, nem vitoriosas, nem derrotadas, mas apenas somos. Repetindo, não se compete com os sonhos, não se ganha dos sonhos por conta própria, então por que se sentir um derrotado?
Por isso é sempre bom saber e ser lembrados do bem que fizemos e fazemos, das nossas virtudes, do nosso valor. Que nem tudo está perdido e é ruim e o que temos é a base pro que devemos construir.
E o que devemos construir? Por que não aquilo que achamos que vale a pena e tem valor? O que nos faz sentirmos uma pessoa melhor? Seja como operária ou rainha, por que não o trabalho de formiguinha que talvez ninguém faça com tanto carinho e afinco, quanto você ou eu?
terça-feira, maio 09, 2006
O outro lado

Na pressa de soltar a “rolha”, acabei falando de quem ama na forma de uma anulação, obsessão, razão para viver atribuída à pessoa amada, o que me assusta. Mas nada falei de quem é o alvo desse tipo de amor.
Tendo como pressuposto toda a minha nêura escrita aqui para falar sobre isso (já falei, post anterior!), talvez pra falar desse outro lado é que eu me sinta desconfortável mesmo até pra começar.
Desconfortável, essa é a palavra chave. Porque me causa desconforto e até me assusta também estar numa posição de ser a razão de viver ou a principal fonte de alegria de outra pessoa. Acho uma responsabilidade e, por conseqüência, um fardo muito grande pra alguém suportar. Eu não gosto e não quero.
Somos falhos, temos defeitos, um dia desses nossos atrativos se esgotam... e aí? O que é que sobra numa relação desigual como essas? Essa estrutura em que um está (lá) embaixo, porque adora e o outro está acima, por ser adorado, como é que resulta?
Acho que a resposta tá numa história que acabei de lembrar.
Uma vez fui na homenagem de um grande homem, que se aposentava. Nesta o mestre de cerimônias, fez menção à esposa do homenageado, com o chavão: “por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher”.
Mais tarde, o orador da noite, renomado no Brasil todo, começa a falar: “Não conheço o homenageado, nada sei da sua história, mas um único fato me mostra o seu caráter. Quando foi dito que sua esposa esteve por trás dele, agora há pouco, ele, baixinho, declarou: “atrás não, do lado.””
Será que não é essa a forma correta de amar, não buscar quem fique à sua frente ou atrás, mas ao seu lado?
Posts relacionados aqui e aqui.
Certas declarações de amor me assustam

Faz algum tempo que, sem querer, li uma declaração de amor. Não era para mim, não era minha, era pública, mas mesmo assim fiquei constrangido. Não pelo seu teor pessoal, nada se dizia de novo. Não porque fosse brega, até porque é difícil uma declaração de amor que não beire a breguisse (e até nem era o caso).
Fiquei muito constrangido por ver naquela declaração de amor tanta dependência, devoção e até mesmo no exercício do amor a essa determinada outra pessoa uma razão de viver (não que ela não merecesse ser amada e uma declaração de amor).
Na verdade, depois de constrangido, fiquei assustado, porque pensei: “e se essa história acaba?” Tenho que confessar que desde que li até hoje eu senti necessidade de meditar/escrever sobre aqui, mas não posso negar que sequer estou certo sobre o tom que devo usar a respeito, falar sobre esse tipo de amor, esse da autonegação, tornou-se uma “rolha criativa” que me impediu até de pensar em outras coisas dignas de nota aqui.
Qual é a da rolha então? É porque as pessoas lêem isso aqui, mais importante, eu lerei isto aqui no futuro (afinal é o meu diário) e, sei lá! Não sei se sou isento ou romântico o suficiente hoje pra falar do amor entre homem e mulher, já fui mais. Poderia atalhar e dizer que é por causa da idade, mas foi a vida mesmo e esta, não acabou e dá voltas freqüentes. Eu sei que poderia ser bem pior neste assunto, mas não sei ao certo se me contento nesta área como quem sou hoje. Sacou a crise?
Bom, direto ao ponto, não sei se pessoas assim se amam. Na boa! Não sei mesmo. Ou não sei se amam ser carentes, vítimas, “bichinhos” que tem que ser cuidados e só tem sentido quando encontram um “dono”. Eu sei, sei bem que a solidão é f... mas será que essa anulação também, à longo prazo também não é? Será que não é melhor se amar/investir mais em si próprio? Lembra da história da borboleta e do jardim? Eu sei, é piegas pra caramba! Mas é por aí mesmo que eu penso.
Outros questionamentos: será que amar não tem um componente racional maior do que a gente pensa? Tipo na escolha de quem a gente ama? Na opção por amar aquela “determinada” (por você) pessoa? Será que não é sempre bom lembrar que amar é um investimento e estes, às vezes, dão prejuízos? E até por isso não vale, como “aplicação de baixo risco”, estar investido sempre em si próprio?
Talvez tais questionamentos não tenham uma resposta clara, talvez a minha crise com relação ao amor seja eterna e talvez todos a tenham, afinal, quando se trata de amar, onde sempre se apresenta a paixão, é impossível e inaceitável ser totalmente racional ou passional.
Mas certas declarações de amor me assustam, e a vocês?

