Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!

domingo, outubro 23, 2005

Terræstranhæ na selva de pedra

Como já se sabe, minha educação musical veio das minhas irmãs, sou cria dos anos 70. Apesar de ter meus preferidos desde então, sempre tive a filosofia que a melhor música ainda está por vir. Por isso que, jurássico fuçador como sou, me meto em eventos hype, como o TIM festival, atrás de boa música.

Por causa dos ingressos esgotados, eu e my Dearest nos metemos numa maratona de 5 shows em 2 locais diferentes. Transportados por mr L, detentor do 1.0 mais rápido da cidade, nos lançamos na empreitada.

Primeira parada: armazém 5, cais do porto.

Seriam os shows hypes, com a galera hype. Média de 20 anos, muito cigarro, pouca educação. Som abafado e calor insuportável. Logo na chegada, encontro A e seus amigos, lamentamos muito C estar doente (melhoras, menina!) e partimos pro show.


Kings of Leon

Foi a razão pra eu ter ido, porque não iria só pelos strokes. O KOL é pra mim a síntese do rock americano de hoje: blues, folk, country, numa atitude punk. O som não é retrô, é atemporal, regional, feitos por caras que você poderia encontrar por trás de um balcão do Burger King ou Best Buy, numa mecânica ou fazenda, que se encontram e fazem um som digno, sujo e bem executado. Gostei muito.

Strokes

Grande atração do festival e maior hype dos últimos anos. Nunca consegui ver neles tudo isso que se fala, mas ter ido ao show ajudou muito. Certamente o Strokes é atitude, mas também são bons músicos, porém entendi o apelo excessivo aos teens que estavam ali. É que há uma identificação entre a vida dos jovens bem abastados de Nova York e os da Zona Sul e Barra, a temática Strokes é o que vivem / gostariam de viver.

Não consegui deixar de me sentir num concurso de bandas de escola, com os meninos do Strokes arrebanhando uma massa histérica por sua popularidade, beleza e atitude.

Mas as pessoas amadurecem e eu gostei muito do material novo deles. Uma sensação me veio a mente: hard rock dos anos 70, e da melhor qualidade.

Interlúdio: encontramos Mr L e partimos pro MAM, um sanduíche de carne assada com provolone (do Belmonte) depois, entrávamos pra ver mais 3 shows.

Lado B stereo

Dupla de Terezina, que poderia definir como White Strypes tupiniquim. Experimentam com samba-rock, xote, thrash e outras cositas mas que serviram pra galera não se empolgar. Me estatelei com my Dearest no tablado, descansando da sauna 5.

O público do TIM lab era mais diverso, mais velho também. De Caetano à Michel Melamed, de Mariana Ximenes a Luís Thunderbird, muita gente pra ver, ser vista e apreciar boa música.

Foi aí que tudo mudou.


Arcade Fire

Não é um show, é uma performance, uma festa. Uma celebração de alegria e prazer pela música. Nove “nerds de conservatório”, como bem disse my Dearest, que se revezam por todos os instrumentos, pulando, dançando, batucando no palco, no retorno, em capacetes, sempre rindo, cantando. O estilo musical do AF ajuda, músicas sempre num crescendo, cadência rápida. No único momento calmo, cantaram “Aquarela do Brasil”, parte do setlist da maioria dos shows que fazem.

Foi muito legal ver a mudança da platéia. Inicialmente contidos e desconfiados, todos estavam dançando e rindo ao fim. Não foi um show, foi uma terapia de grupo.

A platéia em estado de graça e mais um show por vir: Wilco. O que você faria no lugar destes? Como ganhar a platéia já ganha?

Antes de responder estas perguntas, vale dizer que Wilco é uma banda difícil. Gosto deles, mas sei que somos poucos. Eu, por exemplo, tenho umas 10 músicas que gosto, e só.

Então, o que se faz?


Se toca alto, muito alto. O som só foi bom pra eles, então eles usaram isso a seu favor. Wilco é uma p... banda! Mas as suas (dês)construções musicais cansaram uma platéia combalida, lá pelas 3 da matina. Eu gostei muito, mas sei que sou minoria. Se tivessem tocado “I’m always in love”, teria ouvido todas as minhas prediletas.

Bom, daqui a pouco, me lanço pra mais uma desbravada na selva. Elvis Costello e Television me chamam. Mr L também.

Um comentário:

Terraestranhae disse...

Todas as fotos do site UOL música, com exceção da do Wilco, do O GLOBO online.