Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!

terça-feira, outubro 25, 2005

Hoje eu li...

25/10/2005 - Agora eu quero um revólver de natal
De Nelson Botter.

Semana passada mataram uma vizinha de rua na frente do prédio dela. Um ladrão pediu a bolsa, ela se assustou e esboçou um movimento defensivo. O cara, armado, não esperou pra ver o que ela ia fazer. Bang! Na cabeça. Morte instantânea, a calçada cheia de sangue, o ladrão correndo e as pessoas apavoradas na rua. Sim, foi em plena luz do dia, mais precisamente às 17 horas, ou seja, tinham várias testemunhas de olhos arregalados, boquiabertas com tal selvageria. Aquela arma não era uma AR-15, nem uma bazuca, era apenas um revólver como os que todos continuarão comprando após o resultado do referendo. Arma legal ou fria, é arma. Aí eu me pergunto: e se ela estivesse armada? Teria ela sacado e atirado? Teria ela exercido o direito de se defender? O tiro foi rápido e cruel, sem chance alguma de reação. Um simples movimento fez com que o ladrão, na dúvida do que ela poderia fazer, atirasse sem hesitação. Só há uma certeza nessa história: além da bolsa, o ladrão teria ganho mais uma arma.

O cidadão de bem no domingo deu uma resposta aos governos estaduais e federais. Disse que não está contente com a política de segurança pública e que quer continuar com o direito de poder se armar. Motivos para isso não faltam, aliás, muito bem explorados pelos profissionais que produziram a campanha do "não". Um 'case' fantástico para a publicidade brasileira. Reverteu-se um quadro de 76% do "sim" no início da pseudo-discussão. A virada foi incontestável, baseada nos argumentos mais fortes e mais bem explorados da campanha do "não". Quem bancou, leiam fábricantes de armas, deve estar rindo até agora. Talvez se a campanha do "sim" fosse mais eficiente, manteria a larga vantagem do início, mas isso não ocorreu.

Agora, existe o outro lado da moeda, pois o mesmo cidadão de bem que votou pelo não desarmamento votou pela manutenção dessa sociedade caótica de hoje, em que uma mulher é executada num assalto sem ter feito nada. O desarmamento não daria solução para isso, eu sei, só se combate a violência com punições rigorosas, educação e equivalência social. Entretanto, o fato de haver menos armas seria um primeiro passo para acabar com toda uma cadeia de acontecimentos que faz com que o bandido fique cada vez mais armado. "O desarmamento era uma forma de deixar o povo desprotegido contra os bandidos", dizia a campanha do "não". Mas a pergunta que eu faço é: e ela hoje está protegida?

Levou-se muito em consideração essa coisa "bandidos x sociedade", mas e a "sociedade x sociedade"? Falando sério, é um perigo deixar um monte de louco poder andar armado por aí. E não são bandidos não, estou falando do tal cidadão de bem. Comprar uma arma legal é difícil, precisa até de teste psicológico, mas arma fria tem em qualquer esquina. Com a proibição, a arma fria seria mais crime ainda. Ajudaria a diminuir esse comércio ilegal. Meu vizinho pode ser louco e ter uma arma. Um dia posso discutir com ele e tomar um tiro. A sociedade é doente e o referendo apenas evidenciou isso. Espero ter escrito um monte de bobagem, espero estar muito errado, caso contrário... salve-se quem puder.

Bom quando fazem coro com a gente!

Um comentário:

Terraestranhae disse...

Retirado de http://indice.uol.com.br/barra/link.htm?url=http://blonicas.zip.net