Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!
domingo, abril 30, 2006
Hoje eu li...
Solange, ex-BBB, grava CD de funk
Após um desempenho "marcante" no programa Big Brother Brasil, Solange deseja reaparecer na mídia - agora com uma carreira de funkeira.
Com um CD recentemente gravado - mas ainda sem data de lançamento oficial - a ex-frentista canta faixas com letras que tratam da sua grande dificuldade com as línguas portuguêsa inglêsa.
Entre as músicas estão composições (feitas por ela e parceiros do meio), como: “O Problema é Meu”, “The Book Is On The Table” e “Destemida”.
Até a vencedora do BBB, Cida, faz um dueto com a amiga na faixa “Sol Cida”.
Solange ficou famosa por cantar a música “We Are The World” em um "dialeto" próprio.
Fonte: http://obaoba.uol.com.br/noticias/8844_uol.htm
quarta-feira, abril 26, 2006
Hoje eu li...
David Copperfield faz mágica e engana assaltantes
O ilusionista David Copperfield, 49 anos, conseguiu escapar de um assalto com um truque de mágica, na Flórida, segundo informações do site da revista People.
Copperfield estava andando com suas duas assistentes, Cathy Daly e Mia Volmut, após uma apresentação em West Palm Beach. O grupo retornava ao ônibus da equipe quando um carro preto parou ao lado deles e quatro jovens saíram de dentro. Dois deles estavam armados e exigiram que o grupo entregasse seus pertences. Uma das mulheres deu US$ 400 e outra entregou sua bolsa com 200 euros, US$ 100, seu passaporte, passagens de avião e um celular.
David Copperfield colocou os bolsos de sua calça para fora para mostrar que não tinha nada. O mágico contou à polícia que, no momento, carregava seu passaporte, uma carteira e um celular. O ilusionista usou um truque chamado "reverse pickpocketing" para fazer os bandidos pensarem que ele não tinha nada nos bolsos.
Quando os assaltantes se afastaram, Copperfield e Daly anotaram a placa do carro dos bandidos e chamaram a polícia. Os oficiais chegaram à cena rapidamente e capturaram os suspeitos, a quem Copperfield e a sua equipe depois identificaram.
terça-feira, abril 25, 2006
segunda-feira, abril 24, 2006

São as voltas que o mundo dá...
Talvez por ser abril um mês tão importante pra mim, talvez pela minha semana santa estar sendo a das mais magras dos últimos tempos, me peguei muito cabisbaixo, desabafando com My Dearest, refletindo sobre minha vida: seu sentido, seu impacto, sobre como sempre pensei que com a experiência de vida, que cada dia aumenta mais, eu pudesse ser uma pessoa fora do circuito trabalho, “casa, cinema, clube e televisão”, de como eu poderia ser uma pessoa mais significativa para os outros e para mim também.
Cerca de uma hora depois, o telefone toca, era CS, me convocando em cima da hora (menos de uma semana) pra um projeto de ação social na chamada “rodovia da fome”, em Teixeira de Freitas, Bahia. Sabia da existência dessas pessoas carentes, tinha ouvido falar do trabalho que estava sendo planejado, fiquei até com vontade de saber mais, mas nunca pensava que pudesse ir junto, afinal, há vários anos estava longe do convívio de CS e dos demais líderes.
Desligo o telefone com o coração já ardendo de vontade de ir, conto a história pra My D, que responde.
- Mas no próximo fim de semana não é o seu...
- Eu sei! Eu sei! Mas você lembra do que eu tava falando agora a pouco?
- Mas a gente não tava pensando em viajar?
- Tá aí o meu roteiro, eu acho.
- Bom, se eu pudesse ir com você...
Ela pôde, e foi uma bênção.
Pano de fundo

Essa área da BR 101 era anteriormente envolvida com o plantio de eucaliptos para a indústria de higiene e madeireira. A monocultura faliu e a própria cidade de Teixeira de Freitas (20 anos apenas) teve que se adaptar para outras formas de atividade econômica.
A rodovia da fome é essa população mais pobre: lavradores desempregados, que ficam no entorno da rodovia, numa faixa de 20 a 30m entre esta e as fazendas, com portões fechados e cercas farpadas, que viviam de tampar a estrada esburacada com terra, em troca de alimento. A pista foi recapeada e agora, nem isso. A estes moradores só resta a espera de bicos na colheita do café, servindo de mão de obra das mais baratas aos fazendeiros da região.
Dizem que este quadro se estende até perto de Salvador, cerca de 800 Km de extensão, mas nos atemos aos cerca de 20 Km, indo para o norte de Teixeira de Freitas, na direção da capital do estado.
Então, com 60 pessoas, dentre profissionais da área de saúde, jurídica e de apoio à adultos e crianças, 7 toneladas de alimentos, um caminhão, um ônibus e uma van, realizamos um trabalho não só na BR 101, mas também em vários bairros pobres da cidade.
O grupo
O trabalho, além de CS, era comandado por E e LC. CS é meu contemporâneo, amigo de longa data, já nos metemos em outras furadas pelo Brasil afora, com ações como essa, ou cantando em corais para os necessitados e carentes de muitas outras coisas além de um prato de comida. Por isso lembrou de mim.
Foram estas experiências em corais, junto a CS e outros naquela época que me fazem pensar no poder que Deus deu à música, a um gesto de carinho, a um minuto de atenção dispensado a quem precisa.
Já E e LC já são conhecidos daqui do blog. Há 9 anos atrás, durante um ano eu tive a imensa honra de ser líder de um grupo de adolescentes, dos quais os dois faziam parte e, pra meu constrangimento mais do que tudo, me surpreendia em ouvir destes que eu tinha sido uma influencia positiva pra aquela geração.
Mas logo eu?!!! Tão imperfeito que sou!
No mais, foram sessenta pessoas que não discutiram, não reclamaram, não deixaram de fazer nada juntos, não tinham horário pra descanso, não paravam pra nada. Ação social, ação cultural, jovens, adultos que, guiados por um Deus real, sabiam exatamente o que fazer, o tempo todo. Em questão de minutos, todos ocupavam, sem ensaiar, o seu espaço de forma ordeira. A aplicação de flúor pra um lado, a equipe de recreação no aguardo das crianças que saiam, as mães e pais levados para uma outra parte para orientações acerca dos mais variados assuntos, outros separavam brinquedos e roupas de acordo com o público alvo, cestas básicas separadas de acordo com o número de pessoas de cada família assistida. Tudo isso em dois turnos, manhã e tarde. 
À noite, reunião na praça da Bíblia, muita música, muito carinho e o resultado: vidas dispostas a mudar, a serem mais comprometidas com o próximo e principalmente com o Deus de amor.
E veio mais um dia
Estava no refeitório lotado pro café da manhã, quando My D correu em minha direção e me beijou e me abraçou, discretíssima como percebem, me dando os parabéns. Sim, fui passar o meu aniversário na rodovia da fome. Foi a senha pra que o primeiro de muitos parabéns pra mim você fossem cantados ao longo do dia, junto com muito constrangimento da minha parte.
No momento do briefing, E, após dar todos os relatos e pedir a proteção e bênçãos divinas sobre o grupo, me chama ao centro da roda. Mais parabéns e em seguida, E chama, dentre os presentes, todos aqueles que foram adolescentes sob a minha liderança. Foi quando ele reafirma, em público agora, da minha influência sobre aquelas vidas e da alegria que eles tinham de ter “o velhinho” ali junto deles.
Que nada! Eles não sabiam que a alegria era toda minha.
Foi quando E me derrubou de vez...
“Te, essas pessoas que são aqui são fruto da sua vida, são a sua coroa”.
Não preciso dizer que desabei a chorar, envolvido por aqueles abraços apertados, de gente tão amada, enquanto se orava pela minha vida. E eu a pensar: “mas sobre o que eu reclamava tanto na semana santa”?
O saldo
Da parte assistencial, cerca de 500 famílias assistidas. Só eu atendi a cerca de 300 crianças, cinco toneladas de alimentos entregues, duas por entregar, incontáveis peças de roupas e brinquedos entregues e para serem entregues pelos que ficaram responsáveis na cidade, e o principal: 815 pessoas se decidiram tomar a decisão mais importante da sua vida.
Meu saldo pessoal ainda está se formando, mas algumas coisas foram aprendidas ou fixadas.
- Aprender a me contentar com posses materiais. Se você consegue ler isto aqui, é rico e não sabe.
- Deve-se lutar para que todos sejam ricos, como eu e você somos.
- Investir em pessoas é o melhor investimento do mundo.
- Não se preocupar em passar uma mensagem, mas viver de forma íntegra e correta é a melhor forma de deixar boas lembranças em quem você ama.
- Experiências como estas devem ser vividas por todos, várias vezes na vida. Não há como você não pensar na sua vida sob a perspectiva correta e sair de uma desta, apesar de tanta miséria vista, com uma visão mais positiva e mais feliz.

Todas as fotos aqui colocadas são da rodovia da fome ou de bairros carentes de Teixeira de Freitas, exceto aquela em que aparece a minha mão, todas foram tiradas por mim. Clique sobre elas para vê-las maiores.
Em breve, mais lucky shots aqui no blog.
quarta-feira, abril 19, 2006
Hoje eu li...
Londres, 19 abr (EFE).- Um grupo de pesquisadores comprovoucientificamente que os homens perdem a cabeça pelas mulheres,informa hoje a revista britânica "Proceedings of the Royal Society".
Segundo um estudo de cientistas da Universidade de Leuven(Bélgica), os numerosos encantos de uma mulher dificultam acapacidade dos homens para tomar decisões, já que os níveis de testosterona disparam frente aos atrativos femininos.
Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores analisaram asreações de 44 voluntários - homens de entre 18 e 28 anos.Os voluntários eram agrupados em dupla e de tempos em tempos viam imagens de mulheres atrativas e eram perguntados sobre seus gostos a respeito de tecidos.
Resultado: os homens expostos ao que os cientistas chamaram de"insinuações sexuais" caíam mais facilmente na tentação de fazerinsinuações do que os que não haviam sido expostos e apresentavam maiores níveis de testosterona.
Embora os homens achem que são seres muito racionais, a pesquisa indica que "os homens com elevados níveis de testosterona são muito vulneráveis às insinuações sexuais", segundo Siegfried Dewitte, um dos responsáveis. "Se não houver nenhuma insinuação sexual, comportam-se com normalidade, mas se vêem imagens sexuais voltam a ser impulsivos",disse Dewitte.
No entanto, o cientista explicou que os resultados só demonstram uma tendência e que os homens podem "aprender" a se controlar. Agora, os pesquisadores de Leuven estão fazendo testes para averiguar se o mesmo ocorre com as mulheres, embora até agora não tenham descoberto nenhum estímulo visual que as transtorne na hora de tomar uma decisão.
terça-feira, abril 18, 2006
E percebeu que há muito tempo não era mais o dono de sua vida. Não entendia que força era aquela que comprometia seu esforço, tempo e, principalmente, seu futuro.
A vida era tão mais simples antes: bom e mau, gosta, não gosta, certo ou errado... a vida era regida por normas simples que compunham tudo aquilo que, de saldo, o fazia ser aquela pessoa facilmente rotulada por todos: bom garoto, um almofadinha para alguns, correto, educado, culto perante os simples, incapaz de surpreender... tudo mais fácil, quando apenas se era, ele pensava.
Hoje, além se ser, era ter e se comprometer.
E se não fosse o que realmente queria? Poderia correr riscos? Será que tava tendo tempo pra pensar? Colocar a cabeça no lugar? E aquele coração que ansiava por mais e ninguém sabia? Como lidar?
E se desistisse de tudo, pra depois ver que era feliz e não sabia? E se já não tivesse mais nenhuma outra chance, como pensava?
Baixou a cabeça, fitou os pés por muito tempo pra só depois entender que era esta dúvida, este peso que não o fazia levantar seus olhos. Entendeu que foram as circunstâncias, os compromissos, as escolhas - como um chicote a minar a vontade do escravo rebelde – que o levaram bem para aquele ponto, quando ele parou e viu que não era dono de absolutamente mais nada.
quarta-feira, abril 12, 2006
Oscilando

Os últimos dias foram uma sucessão intensa de ALTOS e baixos. Fortes emoções que me tem tomado tempo pra digerir e tentar tirar as lições de cada uma delas, bem como do conjunto.
Tendo falado recentemente da impotência, lá fui eu, de novo, ser alvo dela. Por causa de gente pequena, em posição pequena e pensamento menor ainda, vi um sonho se desmoronar, ainda por cima, por calúnia e difamação. Teve gente que até sugeriu que eu abrisse processo, mas o que se ganha de quem não tem nada? Se de quem eu tava louco pra ganhar uma grana, amarelou...
MAS ESSE ASSUNTO TROUXE ALGO DE BOM. MEUS DOIS SÓCIOS, QUE NÃO SÃO SÓCIOS ENTRE SI, POR CAUSA DO OCORRIDO, CONVERSARAM. E COMO FOI BOM, RECEBER OS ELOGIOS DOS DOIS, ATRAVÉS DOS INTERLOCUTORES. É MUITO BOM QUANDO SEUS PRECEITOS E POSTURAS SÃO INTERPRETADOS DA FORMA CORRETA E, QUANDO PESADO, VOCÊ PASSA POR PESSOA RESPONSÁVEL E CORRETA.
Porém, mais uma vez me encontro numa encruzilhada profissional, pelas minhas contas a terceira. Em todas elas, Deus sempre proporcionou esses momentos de crise como antecedente de grandes avanços (pra realidade que eu vivia na época, é claro), mas que é chato isso pesar no seu bol$o, isso é.
NO DIA QUE ESTAVA MAIS DEPRIMIDO QUANTO Á PROFISSÃO, RUMEI PRA TERRA DO CHUVISCO PRA DAR AULA. ERA UM CHAMARIZ PRA PÓS E MEU COLEGA DE DOCÊNCIA ESBRAVEJAVA CONTRA A PRESENÇA MACIÇA DE ALUNOS DOS PRIMEIROS PERÍODOS. PEDI PRA QUE FICASSE TRANQUILO, ELES ERAM MEUS CONVIDADOS DE HONRA.
SENTI-ME NA OBRIGAÇÃO DE NÃO SER APENAS TECNICISTA, MAS DE USAR TODA A MINHA EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL, QUE VIROU DE VIDA TAMBÉM, PARA INFLUENCIAR O CARÁTER DESSES MENINOS TÃO VERDES. APÓS 3 HORAS ININTERRÚPTAS, NENHUMA PERGUNTA, MAS AO TERMINAR DE DESLIGAR O PC, CERCA DE 10 ALUNOS VIERAM AGRADECER, TODOS DO INÍCIO DA FACULDADE, DIZENDO QUE NÃO ESQUECERIAM DAS COISAS QUE DISSERA, QUE SERIAM PROFISSIONAIS DIFERENTES.
Chega sábado de manhã, na devocional vem o texto.
I Pedro 4
12
Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse;
13
Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.
14
Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado.
15
Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios;
16
Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte.
17
Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?
18
E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador?
19
Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.
Ao acabar de ler o verso 19, toca o telefone. Era FA, um dos meus melhores amigos. Sua mãe falecera, possivelmente por erro médico. Após falar com ele (falar o quê?), me passa o filme de sua mãe, S, na minha vida. S era uma pessoa íntegra, honrada, mulher de Deus, mas de temperamento forte, sempre pronta a dizer a coisa certa e não a agradável. Lembra alguém? Como não admirá-la!
S me considerava seu filho, dizia isso pra minha mãe e sequer tava aí se esta gostava ou não. E o “filho” aqui virou desnaturado e passou a ser muito mais um profissional de saúde a mais a cuidá-la do que alguém a lhe dar atenção devida. Lembro de ter feito a consulta de pré-operatório dela e vê-la pra baixo, cabisbaixa demais pra uma mulher da fé dela. Ela sabia.
No enterro, me surpreendi querendo chorar e não conseguindo, me xinguei por ser tão frio, sofri e sofro com FA e N, sua irmã. Mas acho que a morte de C e a experiência na hora da morte deste, estando junto a FG, mexeram demais com as minhas percepções acerca do luto.
E O QUE ME ESPERAVA APÓS O ENTERRO? UM CASAMENTO. A E R CASARAM E FOI TUDO LINDO. É BOM SABER QUE DEUS TEM ALGUÉM PRA GENTE, POR MAIS DIFERENTE (OU NO MEU CASO, ESQUISITO E CHEIO DE MANIAS) QUE SE SEJA. DEPOIS DA CERIMÔNIA, TODOS PRA FESTA E DEPOIS DE UMA HORA, TODOS OS MEUS QUERIDOS QUE ESTAVAM LÁ DANÇANDO, NUMA ALEGRIA DIVINA, DOS SETE AOS SETENTAS ANOS (SÉRIO!), QUE NÃO PRECISA DE ÁLCOOL OU QUALQUER OUTRO ADITIVO OU INTERESSE PRA EXISTIR.
DANCEI, DANCEI MUITO, PUS PRA FORA O QUE NÃO FOI POR LÁGRIMAS E REVOLTA ALI NA PISTA. MESMO COM A CABEÇA BAGUNÇADA PELO LUTO E FESTA EM SEQUÊNCIA, DECIDI VIVER E SENTIR. E VALEU A PENA, NEM QUE FOSSE PELA NOSSA DANÇA.
E infelizmente, porque a oscilação continua, ontem minha irmã foi assaltada na porta de casa. Levaram o carro (recuperado duas horas depois) e sua bolsa com documentos, agendas e dinheiro. A família perfeita e segura foi abalada e eu revi todo o filme do período de cão que passei entre 2003 e 2004, quando, dentre outras, passei por isso também.
MAS ESTAMOS VIVOS, ISTO É O QUE IMPORTA!
terça-feira, abril 11, 2006
Hoje eu li...
O show não pode parar
"Eu sempre tive o sonho de um dia ir num circo, mas minha mãe prometeu e nunca levou"
-- de um dos menores de "Falcão - Meninos do tráfico".
Carequinha, meu bom menino, vá em paz!
Saibam todos porque eu chorei muito esta manhã. Não foi por estar decepcionada com os seres humanos, suas mazelas plolítico-econômicas ou mesmo suas ações fomentadas pela ambição, orgulho, inveja ou mentira.
Chorei, porque me dei conta do quanto amava o palhaço Carequinha, meu amigo de infância, que se foi hoje, aos noventa anos, como um bom menino, que ensinou a ser bonachonas, milhares e milhares de crianças brasileiras, nas décadas em que nos encantou com sua pureza de alma e seus conselhos de bondade.
Um sonhador com os pés no chão, o palhaço encarna o espírito da alegria conduzido pela alma infantil, dadivosa de sorrisos largos, gestos afetados, cambalhotas expressivas, choros pirracentos e amores sem cobranças.
Num filme dele, recordo, de tanto tempo atrás, ele cantava e saltava com os paraquedistas brasileiros, numa performance nacionalista, que tanta falta faz nos tempos atuais. Cantava que o "bom menino não faz xixi na cama", com a graça de quem é pai, avô, tio de toda a gente. Dava exemplos pessoais de humildade, e nunca nos passava suas dores, como um grande palhaço, deve ter tido muito sofrimentos, mas os escondeu bem escondidos, para só nos oferecer a felicidade instantânea da tradição circense.
Uma ocasião, eu, já senhora trintona, e com meu filho na casa dos seus 10 anos, o vi, se apresentando em cima de um caminhão, na praça, na cidade serrana de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Parei para reviver minha criança até então adormecida, e me soltei com as suas repetidas piadas. Ele já era um senhor de quase 70, que se tornava menino ali, pulando, brincando, fazendo graça, comou um duende sem idade. Naquela tarde, aplaudindo euforicamente, no meio da garotada, orgulhei-me das gargalhadas que dei, junto ao meu menino Léo, que teve a chance de conhecer pessoalmente aquele meu ídolo, o Carequinha, colorido, extravagante, ágil, pequenino no tamanho, gigante na lição de vida.
Ele nasceu em Carangola (MG) em 18 de julho de 1915. Foi artista de circo, cantor e compositor. Sua mãe era trapezista e seu nascimento foi num picadeiro de circo. Ela se equilibrava no arame e sentiu as dores do parto logo após o espetáculo. Veio ao mundo para nos trazer alegria e esperança. Não pregou o egoísmo. Não nos fez competitivos como se fora um Big Brother, só nos ensinou a ser "bonzinhos". Em seus oportunos aconselhamentos, só deixou que sentíssemos a importância do amor e da solidariedade. Talvez tenha ficado ultrapassado demais , cada conceito que nos legou, de tentarmos ser tão educados, sem fazer "má-criação", como ele dizia.
É possível que esteja morrendo hoje, com ele, cada idéia inocente de convivência pacífica e respeitosa entre seres humanos. Sabemos que os meninos aliciados pelo tráfico não tiveram oportunidade de conhecer o Carequinha. Suas ilusões são podadas muito cedo, pelo advento da podridão humana, do comércio das emoções fabricadas pelas drogas pesadas.
Mas, lembro que vi no tal documentário que passou recentemente, na televisão, como se fosse um grito de protesto, uma revolta interior, um dos meninos entrevistados, dando uma declaração, que parecia um apelo inconsciente ao nosso Carequinha.O menino franzino, de rosto encoberto pela imagem televisiva, falava muito bem da mãe, sua única referência de afeto sincero. Mas, como uma vítima da estrutura perversa que nos foi apresentada tal uma vergonha humana de sociedade falida na condução da própria infância, o garoto meliante, o falcão traficante, o malvado capaz de matar e ser assassinado naquela barbárie, com uma expressão absurdamente salvadora e condutora da sua redenção, declarou: - "eu sempre tive o sonho de um dia ir num circo, mas minha mãe prometeu e nunca levou".
Viu, Carequinha? Faltam circos e palhaços como você, nos tempos atuais. E, como a hora chega para todos nós, fique certo de que você, amigo das nossas esperanças ainda não perdidas, fez o máximo nos seus 90anos. Fez de nós, os sobrinhos do Carequinha, uma legião de criaturas que ainda podem se claassificar de bons meninos e boas meninas.
Como nos ensinou, querido palhaço, com alma e coração, "aprendemos sempre a lição", e por isso, quando eu lamento sua partida, agradeço por sua escola de vida, a paz que me proporcionou e a consciência de respeitar a infância brasileira, custe o que custar, acima de tudo.
Poucos homens, nesse país, respeitaram tanto as crianças como você!
Se eu fosse autoridade, criava agora o Projeto Carequinha de Escola Social.
Ia ter muita lição para estudar, mas , nos intervalos, concurso de cambalhotas, como parte integrante da eduação física. A cada menino ou menina feliz, claro, por todo o Brasil, estaríamos legando a paz que o cidadão George Savalla Gomes, caracterizado de palhaço, soube passar para cada um de nós.
É justamente ela, a paz, que eu desejo seja sua eterna companheira, ao descansar de tantas cambalhotas, querido Carequinha!
* Aparecida Torneros é jornalista e leitora de Paralelos
Texto de http://oglobo.globo.com/online/blogs/paralelos/


