Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!
segunda-feira, outubro 31, 2005
Cisne
Cabeça focada, corpo tenso, nunca deixou furo, fez o que lhe pediam.
Outros chegaram, talvez menos dedicados.
Causou-lhe espanto a atenção não ter sido dividida, mas devidamente retirada de si.
Os anos se passaram, todos cresceram e ele ficou ali, fazendo sua parte.
Cabeça focada, corpo tenso, nunca deixando furo.
Hoje, ao fim de todos esses anos, vê que seu sangue doado não teve tanto valor.
A inteligência e a saliva dos outros foi mais eficiente.
“Imorais”, exclamou! “Fui eu que estive aqui todos estes dias.”
Esqueceu-se, que nestes anos todos, voaram apenas aqueles que sonharam.
Enquanto estava ali, fazendo sua parte.
Cabeça focada, corpo tenso, nunca deixando furo.
Pano rápido.
Ele? Ele poderia ter sido taxado de várias coisas: louco, rebelde, grosso, infantil.
Ela? Ela era mais uma, se fosse notada.
Decidiram mudar, não pelos outros, mas pela própria felicidade.
Na mudança se encontraram.
Hoje, ele é taxado de autêntico, esquentado, mas preocupado e responsável.
Ela? Ela tem todo seu charme reconhecido, mesmo sendo de pouco falar.
Voaram em direção contrárias até se encontrar. Hoje voam juntos.
Antes sonharam e fizeram mais que a sua parte. Cabeça relaxada e corpo solto.
domingo, outubro 30, 2005
Hoje eu li...
"A humildade nada mais é que um verdadeiro conhecimento e sentimento da personalidade de um homem como ele é. Qualquer homem que consegue ver e sentir a si mesmo como ele realmente é precisa de fato ser humilde."
sexta-feira, outubro 28, 2005
terça-feira, outubro 25, 2005
Hoje, dez e meia da manhã.
16 Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas.
17 E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas;
18 por minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios.
19 E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer,
20 visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós.
21 Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão.
22 Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.
23 Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem.
24 O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor.
25 Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?
26 Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido.
27 O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados.
28 Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.
29 Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai.
30 E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados.
31 Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais.
32 Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus;
33 mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.
34 Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.
35 Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra.
36 Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.
37 Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;
38 e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.
39 Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á.
Porque eu bem sei porque passo pelo que estou passando.
Hoje eu li...
De Nelson Botter.
Semana passada mataram uma vizinha de rua na frente do prédio dela. Um ladrão pediu a bolsa, ela se assustou e esboçou um movimento defensivo. O cara, armado, não esperou pra ver o que ela ia fazer. Bang! Na cabeça. Morte instantânea, a calçada cheia de sangue, o ladrão correndo e as pessoas apavoradas na rua. Sim, foi em plena luz do dia, mais precisamente às 17 horas, ou seja, tinham várias testemunhas de olhos arregalados, boquiabertas com tal selvageria. Aquela arma não era uma AR-15, nem uma bazuca, era apenas um revólver como os que todos continuarão comprando após o resultado do referendo. Arma legal ou fria, é arma. Aí eu me pergunto: e se ela estivesse armada? Teria ela sacado e atirado? Teria ela exercido o direito de se defender? O tiro foi rápido e cruel, sem chance alguma de reação. Um simples movimento fez com que o ladrão, na dúvida do que ela poderia fazer, atirasse sem hesitação. Só há uma certeza nessa história: além da bolsa, o ladrão teria ganho mais uma arma.
O cidadão de bem no domingo deu uma resposta aos governos estaduais e federais. Disse que não está contente com a política de segurança pública e que quer continuar com o direito de poder se armar. Motivos para isso não faltam, aliás, muito bem explorados pelos profissionais que produziram a campanha do "não". Um 'case' fantástico para a publicidade brasileira. Reverteu-se um quadro de 76% do "sim" no início da pseudo-discussão. A virada foi incontestável, baseada nos argumentos mais fortes e mais bem explorados da campanha do "não". Quem bancou, leiam fábricantes de armas, deve estar rindo até agora. Talvez se a campanha do "sim" fosse mais eficiente, manteria a larga vantagem do início, mas isso não ocorreu.
Agora, existe o outro lado da moeda, pois o mesmo cidadão de bem que votou pelo não desarmamento votou pela manutenção dessa sociedade caótica de hoje, em que uma mulher é executada num assalto sem ter feito nada. O desarmamento não daria solução para isso, eu sei, só se combate a violência com punições rigorosas, educação e equivalência social. Entretanto, o fato de haver menos armas seria um primeiro passo para acabar com toda uma cadeia de acontecimentos que faz com que o bandido fique cada vez mais armado. "O desarmamento era uma forma de deixar o povo desprotegido contra os bandidos", dizia a campanha do "não". Mas a pergunta que eu faço é: e ela hoje está protegida?
Levou-se muito em consideração essa coisa "bandidos x sociedade", mas e a "sociedade x sociedade"? Falando sério, é um perigo deixar um monte de louco poder andar armado por aí. E não são bandidos não, estou falando do tal cidadão de bem. Comprar uma arma legal é difícil, precisa até de teste psicológico, mas arma fria tem em qualquer esquina. Com a proibição, a arma fria seria mais crime ainda. Ajudaria a diminuir esse comércio ilegal. Meu vizinho pode ser louco e ter uma arma. Um dia posso discutir com ele e tomar um tiro. A sociedade é doente e o referendo apenas evidenciou isso. Espero ter escrito um monte de bobagem, espero estar muito errado, caso contrário... salve-se quem puder.
Bom quando fazem coro com a gente!
No velho oeste ele cresceu

Quer dizer que possuir armas é um dos mais nobres direitos do cidadão?
Quer dizer que possuir uma arma ajuda a promover a segurança pública?
Quer dizer que não possuir uma arma em casa a torna vulnerável?
Quer dizer que foi dada uma resposta ao governo pelo NÃO?
Aham!
Então me expliquem.
Por que ladrões roubam lugares "desprotegidos" como bancos e carros fortes?
Por que uma derrota num referendo decidido antes da posse do atual governo e apoiado por todos os presidenciáveis é uma resposta à corrupção?
Você que votou não, vai comprar uma arma? Você se sente preparado pra usar uma?
As pessoas em geral, na sua opinião, estão preparadas pra usar armas?
Vamos dar armas de fogo de presente nesse natal?
Meus dois centavos então.
A campanha foi mal focada pelo SIM e o NÃO fez a festa. Proibir o comércio não diminui o crime, tampouco o aumenta. Armas para o cidadão comum causam um mal sim, como este artigo bem demonstra, mas é uma demonstração de civilidade e progresso o entendimento social de que uma arma é uma ferramenta para uma profissão especializada: a de agente de segurança, seja um guarda ou um soldado. Você paciente, compra um estetoscópio pra usar? Você sabe usar? Você foi preparado pra usar?
Um policial ou um soldado é preparado e avaliado psicologicamente antes de pegar uma arma. Se não for capaz, dá-se baixa nele antes que bote as mãos em uma. Muito bom saber que a população quer esse direito também, mas sem o devido preparo. Ou seja, passionalmente, toma-se uma “atitude não-civilizada” que acaba sempre com duas vidas: a de quem recebeu e a de quem deu o tiro.
Não, mas claro, a arma de fogo é um instrumento de justiça social!
O atendimento nos hospitais públicos é precário?
Sem problema! Fogo neles!
Seu filho vai mal na escola?
Faça ele passar à bala!
Sua esposa(o) te irrita?
Volte aos velhos tempos! Faça com que dance... ao som de tiros nos pés!
Votou mal?
Marque um duelo com seu candidato ao por-do-sol!
Certo estava o Marechal Charles de Gaule...
“O Brasil não é um país sério!”
segunda-feira, outubro 24, 2005
Terræstranhæ na selva de pedra - parte II
Chegamos ao palco principal, ou poderíamos dizer, frigorífico principal, colocados sentados na mesa 19R. A vendedora disse que era uma das últimas das mesas de frente. De frente pro banheiro, isso sim! O movimento frenético ao nosso redor, no chão de compensado fez com que passasse boa parte da noite sob 4.5 graus na escala Richter.
No mais, o de sempre, gente pra ver, muito mais gente pra ser e querendo ser vista. De Deborah Falabella à Arthur Dapieve, passando por Paulinho Moska, naquela platéia hype (blergh!) o casal combalido de véspera se aventurou.
TelevisionPrimeira constatação: como Tom Verlaine tá acabado!
Bom, conheço pouquíssimo da banda, fui pra ser apresentado mesmo. Conheço duas músicas: “Marquee Moon” e “Call Mr Lee”, está última eu adoro e me fez ter uma boa expectativa guitarrística da banda.
E que banda! Tom e Richard Lloyd são excelentes guitarristas, da linha slow soloists. Em português claro, é como se Eric Clapton e Mark Knopfler tocassem na mesma banda, sendo que a dupla do Television é muito mais criativa!
A maior virtude da banda é também seu maior defeito, pois, por serem ambos geniais, os dois tem que solar a cada música. Pra quem gosta como eu, foi um delírio, mas pro público em geral foi apenas um show de abertura chato, com músicas intermináveis. A cabeça de my Dearest, virando com frequência para a entrada do banheiro confirmava minha suposição.
Elvis CostelloPresença de palco é tudo!
Contrastando com o ar Blasé de Tom Verlaine, um indefectível e carismático Elvis Costello entrou no palco, com um alinhado terno mangueirense. Pouco falou, pouco parou. E precisava?
Já no primeiro solo, sinalizou com as mãos e quem ainda tava sentado se pôs pra frente do palco. Impressionante esse homem! Segurou no vocal e na guitarra (e como toca!) mais de 2 horas de boa música desfilando praticamente todos os seus sucessos. Para ser um show perfeito, só faltou “Verônica”, parceria sua com Paul McCartney. Ao final, estava tão alinhado como no início, não me surpreenderia se sequer tivesse suado!
Saca aquele expressão: “uma aula de rock’n roll”? Então...

Dois dias, 7 shows, todos bons. Pra se ter uma classificação de impacto, lá vai meu ranking.
1. Elvis Costello
2. Arcade Fire
3. Wilco
4. Strokes
5. Kings of Leon
6. Television
7. Lado B Stereo (só pra constar, ok? É covardia comparar!)
Sendo que do 3 ao 6 dou empate técnico.
O que não gostei, pela ordem dos acontecimentos.
· Falta de refrigeração no armazém 5. Já fui em festa lá que se deu um jeito.
· Gente sem noção, que quer dançar sem espaço e com copo de cerveja na mão.
· Gente que vai só para aparecer.
· Aplaudir o anúncio da última música do Lado B Stereo.
· Mesas no show.
· Gente que não para quieta durante o show, dançando entre as mesas e indo demais ao banheiro ou circulando.
Muita reclamação. É... tô jurássico mesmo!
domingo, outubro 23, 2005
Terræstranhæ na selva de pedra
Por causa dos ingressos esgotados, eu e my Dearest nos metemos numa maratona de 5 shows em 2 locais diferentes. Transportados por mr L, detentor do 1.0 mais rápido da cidade, nos lançamos na empreitada.
Primeira parada: armazém 5, cais do porto.
Seriam os shows hypes, com a galera hype. Média de 20 anos, muito cigarro, pouca educação. Som abafado e calor insuportável. Logo na chegada, encontro A e seus amigos, lamentamos muito C estar doente (melhoras, menina!) e partimos pro show.

Kings of Leon
Foi a razão pra eu ter ido, porque não iria só pelos strokes. O KOL é pra mim a síntese do rock americano de hoje: blues, folk, country, numa atitude punk. O som não é retrô, é atemporal, regional, feitos por caras que você poderia encontrar por trás de um balcão do Burger King ou Best Buy, numa mecânica ou fazenda, que se encontram e fazem um som digno, sujo e bem executado. Gostei muito.

Strokes
Grande atração do festival e maior hype dos últimos anos. Nunca consegui ver neles tudo isso que se fala, mas ter ido ao show ajudou muito. Certamente o Strokes é atitude, mas também são bons músicos, porém entendi o apelo excessivo aos teens que estavam ali. É que há uma identificação entre a vida dos jovens bem abastados de Nova York e os da Zona Sul e Barra, a temática Strokes é o que vivem / gostariam de viver.
Não consegui deixar de me sentir num concurso de bandas de escola, com os meninos do Strokes arrebanhando uma massa histérica por sua popularidade, beleza e atitude.
Mas as pessoas amadurecem e eu gostei muito do material novo deles. Uma sensação me veio a mente: hard rock dos anos 70, e da melhor qualidade.
Interlúdio: encontramos Mr L e partimos pro MAM, um sanduíche de carne assada com provolone (do Belmonte) depois, entrávamos pra ver mais 3 shows.
Lado B stereo
Dupla de Terezina, que poderia definir como White Strypes tupiniquim. Experimentam com samba-rock, xote, thrash e outras cositas mas que serviram pra galera não se empolgar. Me estatelei com my Dearest no tablado, descansando da sauna 5.
O público do TIM lab era mais diverso, mais velho também. De Caetano à Michel Melamed, de Mariana Ximenes a Luís Thunderbird, muita gente pra ver, ser vista e apreciar boa música.
Foi aí que tudo mudou.

Arcade Fire
Não é um show, é uma performance, uma festa. Uma celebração de alegria e prazer pela música. Nove “nerds de conservatório”, como bem disse my Dearest, que se revezam por todos os instrumentos, pulando, dançando, batucando no palco, no retorno, em capacetes, sempre rindo, cantando. O estilo musical do AF ajuda, músicas sempre num crescendo, cadência rápida. No único momento calmo, cantaram “Aquarela do Brasil”, parte do setlist da maioria dos shows que fazem.
Foi muito legal ver a mudança da platéia. Inicialmente contidos e desconfiados, todos estavam dançando e rindo ao fim. Não foi um show, foi uma terapia de grupo.
A platéia em estado de graça e mais um show por vir: Wilco. O que você faria no lugar destes? Como ganhar a platéia já ganha?
Antes de responder estas perguntas, vale dizer que Wilco é uma banda difícil. Gosto deles, mas sei que somos poucos. Eu, por exemplo, tenho umas 10 músicas que gosto, e só.
Então, o que se faz?

Se toca alto, muito alto. O som só foi bom pra eles, então eles usaram isso a seu favor. Wilco é uma p... banda! Mas as suas (dês)construções musicais cansaram uma platéia combalida, lá pelas 3 da matina. Eu gostei muito, mas sei que sou minoria. Se tivessem tocado “I’m always in love”, teria ouvido todas as minhas prediletas.
Bom, daqui a pouco, me lanço pra mais uma desbravada na selva. Elvis Costello e Television me chamam. Mr L também.


