
Esse ano o Tim festival foi considerado o mais fraco de atrações, o que eu concordo. Ano passado foi bem melhor. Por isso até não me esforcei pra comprar cedo meus ingressos pro único dia que me interessei. E o que aconteceu? Esgotaram-se quando estava saindo da letargia.
Mas não é que Papai sempre nos surpreende? Lá estávamos eu e My Dearest na Marina da Glória, devidamente credenciados com livre acesso a todos os shows, backstage e até o palco. Cortesia da minha querida paciente BP, afinal, quem não chora não mama.
Não gostei muito da casa nova do festival, que não explorou a vista da Baia da Guanabara, achei que o MAM deixava a galera mais unida, mas o esquema de vans associadas a pontos de estacionamento rotativo funcionou muito bem. Seguro e prático.
Sem papo furado, aos shows que vi.
Bonde do Role.
Funk carioca (Miami Bass) feito por indies paranaenses. Saem as popozudas, entra a pançuda, sai a melanina e entram os branquelos. Musicalmente mostra o quanto esse funk é um estilo sem desafios, o bonde só agrada a quem o vê como uma zoação e nada mais. Um puro objeto de observação antropológica e nada mais. A convidada Deise Tigrona disse que era o “novo funk”, para mim tão ignorável quanto o velho.
Mas, o que é o hype! Não é mesmo!
TV on the Radio.
A razão que me fez querer ir neste dia. O TVOTR é a fusão de todos os sons que compõem o rock até hoje. E o rock, se você não sabe, é negro. Poderia dizer que o TVOTR é o “Radiohead negro” no sentido em que é experimental, quase progressivo, porém totalmente impregnado no gospel, no soul e até no reggae. Nenhuma música é, sequer estrtuturalmente, igual a outra, a regra é não seguir regras.
A casa estava sendo colocada abaixo quando o vocalista (que colocaria junto a Corey Glover – do Living Colour – no seleto grupo dos novos grandes cantores negros de rock) diz que ao instrumentos foram extraviados (cortesia da American Airlines) e que usavam instrumentos recém comprados ou emprestados. O que me fez pensar: imagina se fosse com os deles?
Peso, harmonia, dissonâncias, som cabeça – TVOTR é para poucos, mas é fenomenal!
Thievery Corporation.
O grupo francês que fechou a noite e, portanto, o mais aguardado, foi responsável por seu “bailão lounge fumacê” que agrada durante a meia hora inicial, mas se torna chato demais na sua segunda metade.
Simplesmente porque TC não ousa, é tudo muito certinho, certinho até demais. Parece banda de festa que agita, mas é descartável.
Uma idéia que parece ser legal, só parece, é o rodízio de seis vocalistas da banda. Uma francesa, uma de origem árabe, dois MCs de ragamuffim, o percucionista e uma brasileira sem noção se revezavam de acordo com o estilo da música a ser tocada.
O TC é uma banda de bons músicos, seu baixista é excepcional, pena que com tanto recursos não ouse nem um pouco.
Outros pontos positivos do Tim festival.
O público, muito mais ligado na música do que em shows recentes.
Os palcos, maiores, feitos para não ficarem entupidos.
A vaia quando anunciaram o show intruso de Caetano.
Pontos negativos.
Não é o MAM.
A marina não foi bem explorada.
O som, ruim até pro headliner.



Um comentário:
Fotos do blog do oglobo online.
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