Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!

sexta-feira, outubro 06, 2006

Os dezoito anos da constituinte e o voto estranho do brasileiro

Seria difícil para toda uma geração brasileira imaginar um tempo em que votar seria algo apenas protocolar. Mas o período de ditadura era marcado justamente por uma imagem de exercício democrático, quando a população não podia votar no presidente, governador e nem em prefeitos das capitais. A eleição parlamentar, embora sempre realizada, era sempre limitada pelo poder de veto do governo executivo militar.

Como parte do processo de redemocratização do Brasil, a constituinte de 1988 (exatos dezoito anos atrás) foi marcada pela reação a tudo que o regime militar decretava. A partir desta o voto direto obrigatório para todos os cargos e um maior peso e necessidade de quorum legislativo surgiram como instrumentos democráticos anti-ditatoriais, buscando na descentralização decisória um eco do que seria a participação democrática popular.

É interessante notar que a constituinte foi marcada pelo contexto histórico de sua época e cuidou de criar instrumentos políticos para a democracia, talvez o erro, e não seria justo atribuir esta culpa aos políticos em 1988, tenha sido a ausência de instrumentos capazes de criar uma cultura política para este Brasil redemocratizado, ou a ausência de conhecimento do que seria essa cultura, se é que ela existia.

Afinal, qual seria a maior fonte de corrupção política no Brasil atual, senão o afã da conquista da maioria parlamentar?

Põem-se de lado as ideologias, a coerência filosófico-partidária (se é que ela existe) por um preço, uma emenda ou um cargo político. Chegamos a um ponto em que se ter uma ideologia política fechada (PSOL) é taxado como ridículo ou xiita, ou em que um partido outrora chamado comunista (PPS) desavergonhadamente se associa a candidatos de direita. Com a queda do PT, caiu também, infelizmente, o último bastião de coerência (pelo menos aparente) de um partido com a sua filosofia e integridade.

Mas nós fazemos a nossa parte também: votamos (digo como povo, portanto impossível não generalizar) muito mais pela aparência do que pelo conteúdo. Afinal, como justificar as reeleições de Collor e Maluf? Aliás, que belo exemplo termos no principal estado brasileiro o voto mais conservador, consagrando até mesmo Clodovil, o bom filho (da mãe dos outros, claro! – afinal as senhoras conservadoras paulistas não têm filhos bixas), como deputado. E o que a gente diz quando descobre que a surra do carlismo baiano não é bem assim como contam?

O voto se faz ouvir sim – muito baixo, o voto pune – poucos – mas pune, como puniu tanto mensaleiros, sanguessugas, como aqueles que os investigaram nas CPIs (seria a impunidade?). Os instrumentos de 1988 estão aí, presentes, atuantes e poderia até dizer – prontos pra provar sua ação anti-ditatorial (de qualquer forma de ditadura), mas o problema é mais embaixo, é na motivação de quem concorre... e de quem vota!

Um comentário:

F. disse...

Concordo com tudo. Especialmente com o último parágrafo!
Mudando de assunto...
Republiquei o título do Acesso Permitido, e acrescentei a fala de um amigo. Lê lá e me diz o que achou, ok?!
Beijos!