
“Eu não sei dizer o que é isso, mas só sei que é uma coisa ruim”.
A frase, dita há mais de um mês atrás, fez parte de uma conversa difícil e doída, mas ao mesmo tempo forte e esperançosa.
E sim, eu sabia exatamente do que se tratava.
Realmente, é difícil dar nome ao sentimento que fica quando seus sonhos não se concretizam, à luta vontade X realidade, ao estado que se fica quando tanto esforço, pensamento, suspiros e transpiração deram rigorosamente em nada do que você desejava, ou melhor, sonhava.
Houve um tempo em que chamava este sentimento de “nostalgia do futuro”, porque essa realidade, não concretizada, tem em mim o mesmo peso das coisas boas do passado, como algo que você gostaria de revisitar / reviver mais uma vez, e outra vez, outra vez...
Acontece que este sentimento não está ligado com nada real, palpável e concreto, ou seja, sequer poderia ser chamado futuro. Uma “nostalgia do sonho” seria o mais próximo deste sentimento, embora os dois termos de maneira alguma possuam relação.
De qualquer forma, não importando o nome, eu vivi muito este sentimento. Nesse sentir, por muitas vezes eu pensei em conceitos que validassem o fato de que alguns sonhos simplesmente não se realizam.
O primeiro é o da soberania de Deus, muito complexo pra ser incluído dentro de outro assunto, mas, resumidamente, se eu creio num Deus que cuida de mim, tenho que confiar inquestionavelmente que todas as suas ações contribuem para o meu bem, mesmo aquelas que eu não entendo e até me façam sofrer num primeiro momento.
Pensei também na “beleza da realidade”, na beleza que também está presente na comédia de erros da nossa vida, das coisas tortas que se endireitam, nas vitórias nas lutas, em fatos inesperados e, portanto, não sonhados. É a beleza que é vista por trás das rugas, calos, quilos a mais, cabelos a menos, celulites e estrias.
O que me tem feito pensar em mais um conceito como tratamento contra a “nostalgia do sonho”: a saciedade. Até onde uma pessoa se satisfaz? Até onde a ambição não se torna uma potente aliada dos sonhos em promover tamanha nostalgia? Por que fica a impressão que quem tem sonhos menores é muito mais feliz?
Como se pode ver, não tenho um raciocínio fechado sobre esse ponto. Quem quiser ajudar / contribuir, os comentários estão aí pra isso.

Um comentário:
Figura de http://www.brandonstone.com/photo/dead_end_alley/
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