Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!

quarta-feira, outubro 18, 2006

Forjando a união



Este post se relaciona diretamente com este aqui e mais este.

Jean-Paul Sartre cunhou a frase “o inferno são os outros” como o somatório de todo conflito interpessoal que marca as nossas vidas. São as diferenças individuais, aliadas ao estímulo aos relacionamentos descartáveis que fazem com que hoje as pessoas sejam mais fiéis ao seu time de coração do que às causas nobres, família e amigos.



Em contrapartida, no feriado passado pude ser testemunha ocular de como laços eternos podem ser forjados entre pessoas diferentes, de como unidade, coesão e coordenação podem existir em meio a toda essa diversidade social e pessoal.




Pude participar com um outro grupo de jovens de um trabalho na rodovia da fome, sim, foi o meu retorno, porém, mais do que interessados em números, o foco da viagem estava no impacto e na capacitação que a experiência poderia trazer aos participantes.




Talvez pelo fato da realidade do local não ser mais uma novidade para mim, embora seja sempre marcante, o que me inspira a escrever foi ter visto a transformação daqueles que estavam comigo, de como um grupo de apenas conhecidos se tornou um grupo coeso que voltou se amando e realmente unido.




Do que observei, a união começa a ser forjada pelos sentimentos, não necessariamente aqueles que nutrimos uns pelos outros, mas aqueles que temos em comum: paixões, preocupações e satisfações. No caso do grupo onde estive foi a dor em ver o sofrimento alheio e a consciência de que tinham um papel a cumprir em nome de Quem acreditam.




A união forja-se pela liderança, não apenas aquela formalmente estabelecida, mas também pela que surge momentânea e instantaneamente, sabendo-se de antemão que liderar não é mandar, mas criar condições para que as coisas aconteçam, sendo exemplo e estando envolvido. Para tanto, aprender a ouvir e saber sempre o que é prioritário é essencial para aqueles que lideram.




A interdependência talvez seja a característica mais difícil no forjar da união, mas também a mais recompensadora. Saber que o inesperado ocorre, que as coisas fogem ao seu controle e nesta hora aquele que está ao seu lado vai lhe ajudar, é rumar contra a corrente individualista dos tempos atuais e é ótimo.



A união só é possível quando o foco sai do “eu” e vai para o “outro”, ou o próximo, para ser mais bíblico. Ela só te satisfaz plenamente quando a alegria alheia existe, principalmente quando gerada por você, quando seus próprios atos de amor superam qualquer satisfação própria, afastando assim qualquer suspeita de egoísmo, egocentrismo, quando seus atos tornam-se, acima de tudo, mais humanos, mais dentro do propósito para o qual você existe.



Mas o melhor de tudo é que a união sempre desejará reforço em sua fundição, quando sempre descobriremos que estarmos juntos, da maneira correta, está longe de ser o inferno, mas um local aconchegante, perto do que pode ser o céu.






Todas as fotos deste post foram tiradas por mim na viagem à região de Teixeira de Freitas e Caravelas, BA, junto com os jovens da Primeira Igreja Batista do Recreio dos Bandeirantes, RJ. As pessoas que aparecem participaram ou foram assistidas por esta viagem.

Mais fotos da viagem aqui.

quarta-feira, outubro 11, 2006

De vez em quando as coisas tomam um rumo diferente


Na verdade é só pretexto pra homenagear o falecido Ed Bendict, criador de grande parte dos personagens da Hanna-Barbera, falecido em agosto.

Lucky shot


Porque amanhã volto pra lá e nos próximos 3 dias estarei feliz pensando e agindo em pró de quem precisa.
Conto com o seu suporte.

terça-feira, outubro 10, 2006

Plug in legal


Você que escuta seus mp3s no pc, não seria legal ter as letras das músicas no momento que você ouve?


Então vá aqui e baixe este plug in, serve pro windows media player e pro winamp também. Me pareceu ser leve e usável até em conexão discada. Tem até letras em português.


sexta-feira, outubro 06, 2006

Os dezoito anos da constituinte e o voto estranho do brasileiro

Seria difícil para toda uma geração brasileira imaginar um tempo em que votar seria algo apenas protocolar. Mas o período de ditadura era marcado justamente por uma imagem de exercício democrático, quando a população não podia votar no presidente, governador e nem em prefeitos das capitais. A eleição parlamentar, embora sempre realizada, era sempre limitada pelo poder de veto do governo executivo militar.

Como parte do processo de redemocratização do Brasil, a constituinte de 1988 (exatos dezoito anos atrás) foi marcada pela reação a tudo que o regime militar decretava. A partir desta o voto direto obrigatório para todos os cargos e um maior peso e necessidade de quorum legislativo surgiram como instrumentos democráticos anti-ditatoriais, buscando na descentralização decisória um eco do que seria a participação democrática popular.

É interessante notar que a constituinte foi marcada pelo contexto histórico de sua época e cuidou de criar instrumentos políticos para a democracia, talvez o erro, e não seria justo atribuir esta culpa aos políticos em 1988, tenha sido a ausência de instrumentos capazes de criar uma cultura política para este Brasil redemocratizado, ou a ausência de conhecimento do que seria essa cultura, se é que ela existia.

Afinal, qual seria a maior fonte de corrupção política no Brasil atual, senão o afã da conquista da maioria parlamentar?

Põem-se de lado as ideologias, a coerência filosófico-partidária (se é que ela existe) por um preço, uma emenda ou um cargo político. Chegamos a um ponto em que se ter uma ideologia política fechada (PSOL) é taxado como ridículo ou xiita, ou em que um partido outrora chamado comunista (PPS) desavergonhadamente se associa a candidatos de direita. Com a queda do PT, caiu também, infelizmente, o último bastião de coerência (pelo menos aparente) de um partido com a sua filosofia e integridade.

Mas nós fazemos a nossa parte também: votamos (digo como povo, portanto impossível não generalizar) muito mais pela aparência do que pelo conteúdo. Afinal, como justificar as reeleições de Collor e Maluf? Aliás, que belo exemplo termos no principal estado brasileiro o voto mais conservador, consagrando até mesmo Clodovil, o bom filho (da mãe dos outros, claro! – afinal as senhoras conservadoras paulistas não têm filhos bixas), como deputado. E o que a gente diz quando descobre que a surra do carlismo baiano não é bem assim como contam?

O voto se faz ouvir sim – muito baixo, o voto pune – poucos – mas pune, como puniu tanto mensaleiros, sanguessugas, como aqueles que os investigaram nas CPIs (seria a impunidade?). Os instrumentos de 1988 estão aí, presentes, atuantes e poderia até dizer – prontos pra provar sua ação anti-ditatorial (de qualquer forma de ditadura), mas o problema é mais embaixo, é na motivação de quem concorre... e de quem vota!

quarta-feira, outubro 04, 2006

O decálogo das pessoas boas

Quando crianças, somos ensinados por nossos pais a acreditar e classificar pessoas sob o conceito maniqueísta de bondade e maldade. Entendemos desde então, que as pessoas boas não são somente aquelas incapazes de nos fazer mal, mas também aquelas que trazem em si qualidades, que enriquecem aqueles ao redor, de estirpe.

Ao amadurecermos, temos na destruição desse conceito uma das mais duras lições da vida. Através das decepções com os outros e até mesmo o fascínio pelo proibido, entendemos que, na essência, a bondade não é uma qualidade, mas um exercício e que sim, as pessoas são predispostas a atos bons e maus a fim de serem bem sucedidas. O próprio Jesus, quando chamado pelo chamado “jovem de qualidade” de “bom mestre”, se exime dessa alcunha, dizendo que apenas Deus era bom.

Fica claro que o que leva uma pessoa a ser reconhecida como boa - e não má – é a influência direta do caráter, valores e interesses de cada um. Mas por que não exercitar na forma de um decálogo as características de uma boa pessoa boa? Seria um bom ponto de partida para reconhecermos e tornarmo-nos uma.

Valor – pessoas boas se importam com o que as cerca. Pessoas, coisas, situações, tudo é alvo da preocupação destas. Pessoas boas não sofrem de apatia, não tem medo de sentir, nem de seus sentimentos, mesmo da ira. Possuem valores das quais não abrem mão, pois foram arduamente construídos e não aceitos passivamente. São bem-sucedidas em áreas da vida pela simples prática destes valores.

Humildade – pessoas boas estão bem próximas da compreensão do seu exato papel no mundo e portam-se como tal, nem a mais nem a menos. Sabem do valor do aprendizado nesta vida e admitem seus erros e os erros alheios (dentro do seu sistema de valores), acolhendo ao que erra, embora aponte o erro, pois é assim que gostariam de ser tratados.

Ternura – pessoas boas sabem expressar seus sentimentos, sabem do valor do carinho, do estar ao lado, de somar. Mesmo em momentos cruciais, em decisões ou palavras duras não existe o mecanicismo, o formalismo ou o simples ativismo perante as pessoas ao redor.

Justiça – pessoas boas sobrepujam propósitos corretos à boas atitudes. Mesmo que haja prejuízo próprio e marcas, o bem maior sempre fala mais alto.

Submissão – pessoas boas sabem quando não devem ser o centro das atenções, sabem ouvir e seguir, mesmo quando sabe que certos caminhos podem dar errados (como um recurso extremo e sem confrontar seus valores), afinal, sabe que quem lidera ao erro, aprenderá com eles, como aprenderam com os seus.

Visão – pessoas boas conseguem enxergar sob pontos diferentes de vista, principalmente aqueles que não são os seus. Conseguem aliar medidas de curto prazo a repercussões de longo prazo (mesmo que instintivamente), procuram enxergar sutilezas e subjetividades no que o cerca sem em momento algum se sentirem mais sábios ou perseguidos por isto, é apenas o sucesso de um exercício de compreensão.

Perda – pessoas boas aceitam o preço a pagar para alcançar o que querem, que sempre será igual ao que acreditam.

Esperança – pessoas boas trazem em si sempre a boa expectativa, a visão otimista, às vezes até salutarmente irresponsável, em relação às pessoas e ao mundo. Sabem diferenciar os sonhos entre palpáveis, desafios e escapismos, reconhecendo que para alcançá-los, antes de mais nada, deve existir a base, o fundamento da maioria dos conceitos acima.

Post baseado na vida de EL, que aniversariou há 15 dias, em cuja vida fica claro constante exercício em ser uma pessoa boa, tornando tão fácil a confecção deste decálogo.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Mais uma

Uma velha/nova amiga, de muito perto, mas a grande distância, que quase nunca vejo, mas muito presente começou a blogar. Tá aqui, bem no iniciozinho.

Tenham paciência com ela, porque vocês sabem que até pegar o jeito a gente leva um tempo.

F, que bom que mais uma pessoa com algo a dizer está por aqui. Sou grato a Deus por estarmos mais próximos e por poder ter mais razões pra te admirar e lhe querer muito bem.

Boas postagens!

terça-feira, setembro 26, 2006

Hoje eu li...

"A ciência é fundamentalmente agnóstica, porém esta não impõe o agnosticismo até mesmo aos que pesquisam."

Trecho de um brilhante editorial sobre ciência e religião, em inglês, que você lê na íntegra aqui.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Franz Ferdinand - Do you want to (live in Rio 14.09.2006)

Uma música inteira na perspectiva da platéia.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Terræstranhæ na selva de pedra - tudo pegando fogo!

O post abaixo (editado) foi publicado na revista digital paradoxo.

A Segunda vez é muito melhor com Franz Ferdinand

“This fire is out of control
I’m going to burn this city
Burn this city” – Franz Ferdinand, This fire

Franz Ferdinand é uma banda escocesa (Alex Kapranos – vocal,guitarra e teclados; Nick Mccarthy – vocal, guitarra e teclados; Bob Hardy – baixo e Paul Thomson – bateria e guitarra) da geração 00 britânica. Uma resposta ao novo rock americano, capitaneado por Strokes e White Stripes. Seu som é um mix dançante de quase tudo que o rock britânico já produziu, se encontrando facilmente influências dos Beatles, do punk e do glam rock. Seus integrantes se preocuparam em associar à banda minimalismos e o que existe de mais descolado em termo de arte, imagem e tendências, começando pelo nome: um personagem histórico com uma bem sacada jogada fonética. Uma banda simples, mas moderna.

Em 2005 havia a enorme expectativa apresentada pelos fãs e mídia quanto ao seu segundo disco, afinal, o primeiro, homônimo (2004), tinha sido um sucesso estrondoso, capitaneado pelo sucesso “Take me out”. Pois bem, “You Could Have It So Much Better” superou as expectativas, trazendo mais uma série de hits que cabem tão bem numa setlist roqueira, quanto numa pista de dança.

O desafio da segunda vez voltou a assombrar o FF semana passada. Desta vez seria o desafio de superar o mítico show de fevereiro deste ano no Circo Voador (2000 lugares), Rio de Janeiro, voltando a mesma cidade para o segundo show em sete meses, no rastro do festival Motomix em SP. Algumas razões eram dadas para já justificar que o show, agora na vizinha Fundição Progresso (6000 lugares), não seria tão bom: local maior, a falta da gana que existiu na época de finalmente tocar para o seu público, após duas frias aberturas para o U2 e o público destes em São Paulo e o fato do FF estar voltando no fim da sua maratona de três anos de shows.

Mas, mais uma vez, a segunda vez se mostrou boa para o Franz Ferdinand.

O show do FF é marcado pela alegria. Antes do show é legal ver, já no palco, todos os integrantes se abraçando, como amigos a desejar carinhosamente boa sorte antes de algo que já deveria ser rotineiro. O minimalismo está presente no palco e nas roupas pautadas pelo uso do vermelho e preto, estrategicamente quebrado pelo simpático verde e amarelo dos tênis de Alex.

O primeiro acorde foi acompanhado por uma alegria festeira vinda do público carioca, uma vibração das mais positivas que vai até o fim e fica em você por várias horas. Mesmo a interrupção após a segunda música, “Come on home”, pro reforço da grade de frente pro palco com caixas foi curtida numa boa pelo público e bem aproveitada depois para aproximar os incansáveis Alex e Nick ainda mais do público. Aliás, estes são as estrelas do FF: alternam vocais, solos de guitarra e, principalmente posições no palco, fazendo com que Nick até escalasse a torre de iluminação com guitarra a tiracolo, enquanto Alex mantinha o pique guitarrístico.

O baixista Bob me fez lembrar o finado John Entwistle, do The Who, que ficava impassível enquanto a casa vinha abaixo, sem derramar uma gota de suor durante todo o show. Bob, despejando todo o peso de seu baixo, se limitava a andar calmamente da frente do palco para a bateria, num engraçado contraponto.

O batera Paul estava em estado de graça, afinal era o seu aniversário e estava no Rio. Parecia uma criança que recebera seu presente sob seis mil vozes a cantar “parabéns pra você”. Tocou guitarra, algumas vezes cantou com a sua voz bêbada: “Riooooooooooo!, Riooooooooo!”. Mas por todo o show tirava de seu set básico de bateria o som de umas três baterias juntas. Um dos pontos altos, já no final é na música “Outsiders” quando, como de costume, a bateria é tocada por várias pessoas. Desta vez, além de Paul, o quinto FF (que toca de tudo em várias músicas) e um roadie da banda tiveram essa incubência.

Era esperado que tocassem uma das possíveis músicas do terceiro álbum, possivelmente intitulada “Ghost in Rio”, mas foi a nova “Lindsay Wells” que apareceu, bem como a desconhecida “Can’t stop feeling”, presente em um single que precede o primeiro álbum. Foram os pontos menos empolgantes (mas nunca caídos) do show em alta velocidade do FF, que atingiu a máxima quando da execução das consagradas “Take me out”, “Do you want to”, “Michael” e o grand finale com “This fire”, citada na epígrafe.

Expectativa criada, promessa feita, promessa cumprida. Alex joga seus tênis da boa vizinhança e a galera volta pra casa feliz da vida. Fumegando, mas felizes.

Pílulas cariocas.
-As compras do FF: uma viola caipira e um vinil dos Stones (Alex), discos de Jorge Benjor, Tropicália, Mutantes, Caetano, Gil, Secos & Molhados, pandeiro e tamborim (Paul).
-Cerca de quatro músicas do novo álbum do FF começaram a ser gravadas no Brasil em fevereiro, com direito a naipe de metais made in Brasil.
-Quer saber a pizza pedida por Alex? A receita da pizza Kaprano é: espinafre, azeitona, salame e um ovo por cima. Vai encarar?

Pílulas paulistas.
-O show teve duas músicas a menos que o do Rio.
-Em “Outsiders”, várias pessoas tocaram bateria: integrantes do Art Brut, Radio 4, a cantora norueguesa Annie (todos participantes do Motomix) e o fã Altair Ferreira, que conseguiu o feito com um cartaz e muita disposição na frente do palco.
-A bateria foi destruída depois do show, o teclado arremessado em direção à platéia.
-Alex mais uma vez acabou o show sem os tênis... e sem camisa. O guitarrista Nick ficará mais alguns dias em SP a passeio.