
Jean-Paul Sartre cunhou a frase “o inferno são os outros” como o somatório de todo conflito interpessoal que marca as nossas vidas. São as diferenças individuais, aliadas ao estímulo aos relacionamentos descartáveis que fazem com que hoje as pessoas sejam mais fiéis ao seu time de coração do que às causas nobres, família e amigos.

Em contrapartida, no feriado passado pude ser testemunha ocular de como laços eternos podem ser forjados entre pessoas diferentes, de como unidade, coesão e coordenação podem existir em meio a toda essa diversidade social e pessoal.

Pude participar com um outro grupo de jovens de um trabalho na rodovia da fome, sim, foi o meu retorno, porém, mais do que interessados em números, o foco da viagem estava no impacto e na capacitação que a experiência poderia trazer aos participantes.

Talvez pelo fato da realidade do local não ser mais uma novidade para mim, embora seja sempre marcante, o que me inspira a escrever foi ter visto a transformação daqueles que estavam comigo, de como um grupo de apenas conhecidos se tornou um grupo coeso que voltou se amando e realmente unido.

Do que observei, a união começa a ser forjada pelos sentimentos, não necessariamente aqueles que nutrimos uns pelos outros, mas aqueles que temos em comum: paixões, preocupações e satisfações. No caso do grupo onde estive foi a dor em ver o sofrimento alheio e a consciência de que tinham um papel a cumprir em nome de Quem acreditam.

A união forja-se pela liderança, não apenas aquela formalmente estabelecida, mas também pela que surge momentânea e instantaneamente, sabendo-se de antemão que liderar não é mandar, mas criar condições para que as coisas aconteçam, sendo exemplo e estando envolvido. Para tanto, aprender a ouvir e saber sempre o que é prioritário é essencial para aqueles que lideram.

A interdependência talvez seja a característica mais difícil no forjar da união, mas também a mais recompensadora. Saber que o inesperado ocorre, que as coisas fogem ao seu controle e nesta hora aquele que está ao seu lado vai lhe ajudar, é rumar contra a corrente individualista dos tempos atuais e é ótimo.

A união só é possível quando o foco sai do “eu” e vai para o “outro”, ou o próximo, para ser mais bíblico. Ela só te satisfaz plenamente quando a alegria alheia existe, principalmente quando gerada por você, quando seus próprios atos de amor superam qualquer satisfação própria, afastando assim qualquer suspeita de egoísmo, egocentrismo, quando seus atos tornam-se, acima de tudo, mais humanos, mais dentro do propósito para o qual você existe.

Mas o melhor de tudo é que a união sempre desejará reforço em sua fundição, quando sempre descobriremos que estarmos juntos, da maneira correta, está longe de ser o inferno, mas um local aconchegante, perto do que pode ser o céu.

Todas as fotos deste post foram tiradas por mim na viagem à região de Teixeira de Freitas e Caravelas, BA, junto com os jovens da Primeira Igreja Batista do Recreio dos Bandeirantes, RJ. As pessoas que aparecem participaram ou foram assistidas por esta viagem.
Mais fotos da viagem aqui.



