A Segunda vez é muito melhor com Franz Ferdinand
“This fire is out of control
I’m going to burn this city
Burn this city” – Franz Ferdinand, This fire
Franz Ferdinand é uma banda escocesa (Alex Kapranos – vocal,guitarra e teclados; Nick Mccarthy – vocal, guitarra e teclados; Bob Hardy – baixo e Paul Thomson – bateria e guitarra) da geração 00 britânica. Uma resposta ao novo rock americano, capitaneado por Strokes e White Stripes. Seu som é um mix dançante de quase tudo que o rock britânico já produziu, se encontrando facilmente influências dos Beatles, do punk e do glam rock. Seus integrantes se preocuparam em associar à banda minimalismos e o que existe de mais descolado em termo de arte, imagem e tendências, começando pelo nome: um personagem histórico com uma bem sacada jogada fonética. Uma banda simples, mas moderna.
Em 2005 havia a enorme expectativa apresentada pelos fãs e mídia quanto ao seu segundo disco, afinal, o primeiro, homônimo (2004), tinha sido um sucesso estrondoso, capitaneado pelo sucesso “Take me out”. Pois bem, “You Could Have It So Much Better” superou as expectativas, trazendo mais uma série de hits que cabem tão bem numa setlist roqueira, quanto numa pista de dança.
O desafio da segunda vez voltou a assombrar o FF semana passada. Desta vez seria o desafio de superar o mítico show de fevereiro deste ano no Circo Voador (2000 lugares), Rio de Janeiro, voltando a mesma cidade para o segundo show em sete meses, no rastro do festival Motomix em SP. Algumas razões eram dadas para já justificar que o show, agora na vizinha Fundição Progresso (6000 lugares), não seria tão bom: local maior, a falta da gana que existiu na época de finalmente tocar para o seu público, após duas frias aberturas para o U2 e o público destes em São Paulo e o fato do FF estar voltando no fim da sua maratona de três anos de shows.
Mas, mais uma vez, a segunda vez se mostrou boa para o Franz Ferdinand.
O show do FF é marcado pela alegria. Antes do show é legal ver, já no palco, todos os integrantes se abraçando, como amigos a desejar carinhosamente boa sorte antes de algo que já deveria ser rotineiro. O minimalismo está presente no palco e nas roupas pautadas pelo uso do vermelho e preto, estrategicamente quebrado pelo simpático verde e amarelo dos tênis de Alex.
O primeiro acorde foi acompanhado por uma alegria festeira vinda do público carioca, uma vibração das mais positivas que vai até o fim e fica em você por várias horas. Mesmo a interrupção após a segunda música, “Come on home”, pro reforço da grade de frente pro palco com caixas foi curtida numa boa pelo público e bem aproveitada depois para aproximar os incansáveis Alex e Nick ainda mais do público. Aliás, estes são as estrelas do FF: alternam vocais, solos de guitarra e, principalmente posições no palco, fazendo com que Nick até escalasse a torre de iluminação com guitarra a tiracolo, enquanto Alex mantinha o pique guitarrístico.
O baixista Bob me fez lembrar o finado John Entwistle, do The Who, que ficava impassível enquanto a casa vinha abaixo, sem derramar uma gota de suor durante todo o show. Bob, despejando todo o peso de seu baixo, se limitava a andar calmamente da frente do palco para a bateria, num engraçado contraponto.
O batera Paul estava em estado de graça, afinal era o seu aniversário e estava no Rio. Parecia uma criança que recebera seu presente sob seis mil vozes a cantar “parabéns pra você”. Tocou guitarra, algumas vezes cantou com a sua voz bêbada: “Riooooooooooo!, Riooooooooo!”. Mas por todo o show tirava de seu set básico de bateria o som de umas três baterias juntas. Um dos pontos altos, já no final é na música “Outsiders” quando, como de costume, a bateria é tocada por várias pessoas. Desta vez, além de Paul, o quinto FF (que toca de tudo em várias músicas) e um roadie da banda tiveram essa incubência.
Era esperado que tocassem uma das possíveis músicas do terceiro álbum, possivelmente intitulada “Ghost in Rio”, mas foi a nova “Lindsay Wells” que apareceu, bem como a desconhecida “Can’t stop feeling”, presente em um single que precede o primeiro álbum. Foram os pontos menos empolgantes (mas nunca caídos) do show em alta velocidade do FF, que atingiu a máxima quando da execução das consagradas “Take me out”, “Do you want to”, “Michael” e o grand finale com “This fire”, citada na epígrafe.
Expectativa criada, promessa feita, promessa cumprida. Alex joga seus tênis da boa vizinhança e a galera volta pra casa feliz da vida. Fumegando, mas felizes.
Pílulas cariocas.
-As compras do FF: uma viola caipira e um vinil dos Stones (Alex), discos de Jorge Benjor, Tropicália, Mutantes, Caetano, Gil, Secos & Molhados, pandeiro e tamborim (Paul).
-Cerca de quatro músicas do novo álbum do FF começaram a ser gravadas no Brasil em fevereiro, com direito a naipe de metais made in Brasil.
-Quer saber a pizza pedida por Alex? A receita da pizza Kaprano é: espinafre, azeitona, salame e um ovo por cima. Vai encarar?
Pílulas paulistas.
-O show teve duas músicas a menos que o do Rio.
-Em “Outsiders”, várias pessoas tocaram bateria: integrantes do Art Brut, Radio 4, a cantora norueguesa Annie (todos participantes do Motomix) e o fã Altair Ferreira, que conseguiu o feito com um cartaz e muita disposição na frente do palco.
-A bateria foi destruída depois do show, o teclado arremessado em direção à platéia.
-Alex mais uma vez acabou o show sem os tênis... e sem camisa. O guitarrista Nick ficará mais alguns dias em SP a passeio.
Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!
quinta-feira, setembro 21, 2006
Terræstranhæ na selva de pedra - tudo pegando fogo!
O post abaixo (editado) foi publicado na revista digital paradoxo.
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Um comentário:
Aew! Amigo, também, de redação! ;]
Bjux!
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