Pra qualquer um que esteja lendo os jornais, tem-se a impressão de que o Brasil está vivendo - finalmente - o momento de colher o fruto de uma breve história macroeconômica e de conjuntura internacional favoráveis. Uma economia estável, porém dinâmica, num país sem dívida externa, embora com um aparelho público inchado e burocrático.
Esta imagem de potência em potencial do Brasil se mostra ainda mais animador quando verificamos o que atrai o interesse do mundo em nossa direção e o que é propagandeado como sinal de progresso nacional: nossas jazidas de petróleo, nosso biocombustível e nosso potencial de produzir alimentos.
O que me faz pensar que num contexto histórico nada mudou na essência. Antes exportávamos pau-brasil e café e tínhamos nosso ouro como riqueza alheia. Hoje, exportamos o álcool e mais alguns gêneros alimentícios pra praticamente todo o mundo e seduzimos o mundo com o nosso "ouro negro" do pré-sal. Produzíamos e produzimos ainda pros outros. Isso é progresso?
Mas talvez possamos argumentar que hoje esta riqueza fica nos bolsos de empresas nacionais. Será mesmo? Será que podemos argumentar que na globalização há a grande empresa local? Será que as múltiplas parcerias e aquisições, será que a participação de nossas empresas em mercados acionistas externos, será que as subsidiárias internacionais pra escoar dinheiro, será que o dinheiro desviado pra paraísos fiscais nos garantem de que a riqueza que vem e há de vir é realmente nossa?
Na minha humilde opinião, acho que o maior sinal de progresso é quando vemos avanços sociais em paralelo ao crescimento econômico, quando vemos o fortalecimento das instituições, quando vemos esforços sendo feitos para assegurar ao cidadão comum os direitos básicos de cidadania e as oportunidades de crescer. É isto que dá a um país um patrimônio crescente e de grande valor:o crescimento da inteligência, da criatividade e da inventividade do seu povo.
Porém o que hoje vemos é uma riqueza intimamente ligada à corrupção, onde os grandes feitos empresariais estão ligados a favores nem sempre devidos do governo, onde o molhar de mãos é prática corriqueira sobre legislativo, executivo, judiciário e imprensa. Do escândalo Collor ao Daniel Dantas, temos conhecimento de tudo, porém vemos a justiça sendo feita sobre nada.
Será que isto é progresso? Dinheiro entrando pelo ladrão e a encenação de que somos um país sério, onde leis são cumpridas e são para todos. Ou continuamos a viver sob o mais puro colonialismo? Que se saqueiem as plantações, que se escave o solo em busca de riquezas, que se drenem os rios, desde que venha o lucro. Lucro pra poucos, pros poucos que subornam, pros poucos que são subornados. Que o povo, este povo que dá popularidade e voto, que compra jornal e revista, que tem o carro roubado e o filho morto por bala de bandido e/ou policial, que corta cana e paga imposto, que é xiita ou é iludido politicamente seja o que sempre foi desde que pisaram os pés aqui: "braços fortes" pra trabalhar.
Referências que não são a verdade, mas baseadas nela. Marcos pra que eu lembre da minha vida no futuro e não me esqueça... de nada!
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domingo, julho 13, 2008
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