Confuso entre o que poderiam ser lembranças ou novidades, voltara a sentir o estômago embrulhar, aquela mesma (e velha) sensação de incômodo, de sufoco, aquele estado que costumava dizer: “não há espaço para você”.
Sentiu-se como algo a ser posto pra fora, expulso sob pressão e pensou que qualquer outro local seria melhor do que aquele ali, com paredes invisíveis tão próximas a lhe apertar, certamente estava claustrofóbico.
Pensou em refugiar-se nas trevas, como sempre fazia. Incômodo por incômodo, preferia sempre os conhecidos, nunca os novos e imprevisíveis, sob a sua imprevisibilidade, que se valha ressaltar. Finalmente, decidiu-se por fugir, pegou suas coisas, poucas, optou por viajar leve, levado pela estrada, sem rumo, pressa e pressão.
Sua mente pôs os pés pra fora antes do corpo e viajou - intenção antes da ação - chegando a algum lugar, de certo ignorado, mas com atrações imperdíveis: sossego, espaço e paz.
Abriu a porta e partiu, sorridente.
Foto tirada por mim (em PB) - rodovia da fome, Teixeira de Freitas, BA.

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