
Injustiça.
Sim, injustiça.
Sei que não sou inocente, que da minha boca saiu engano, que meu coração é cheio de malícia, como a dos homens, bem como de seu orgulho e insolência. Pois eu que deveria ser o exemplo, pago o preço do meu desejo, dos conflitos que causei, de querer ser maior do que me permitiram ser.
Hoje, todo o peso do firmamento está sobre meus ombros, este mundo que desprezo, tão inferior em qualidade é este meu fardo de cada dia.
Por isso mesmo, tão injusto.
Olho para os homens e vejo tanta maldade que, mesmo tendo cometido meus crimes, tremo ao observá-los. Tenho a vontade de largar esta esfera, deixar que ela espatife-se pelo seu descaso, pelas obras desses homens que nunca saciam pela vantagem, pela corrupção, pelo conflito, pela guerra.
Tolos! Se ao menos vissem o meu exemplo! De como busco redenção sendo servo ao suportar seus fardos, os fardos de todo esse mundo que odeio! A cada dia ouço os conselhos das minhas dores, os nós em minhas costas me ensinam constantemente. Por que estes pequeninos não desejam aprender e esquecem das lições aprendidas?
Por que tamanha pequenez pesa tanto em minhas costas?
Injustiça, tamanha injustiça!
Não entendeu nada? Olhe aqui.

Um comentário:
Figura: John Singer Sargent, Atlas e as Hespérides.
Em http://www.telefonica.net/web2/cita-con-los-dioses/atlas_hesperides.jpg
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