Quando crianças, somos ensinados por nossos pais a acreditar e classificar pessoas sob o conceito maniqueísta de bondade e maldade. Entendemos desde então, que as pessoas boas não são somente aquelas incapazes de nos fazer mal, mas também aquelas que trazem em si qualidades, que enriquecem aqueles ao redor, de estirpe.
Ao amadurecermos, temos na destruição desse conceito uma das mais duras lições da vida. Através das decepções com os outros e até mesmo o fascínio pelo proibido, entendemos que, na essência, a bondade não é uma qualidade, mas um exercício e que sim, as pessoas são predispostas a atos bons e maus a fim de serem bem sucedidas. O próprio Jesus, quando chamado pelo chamado “jovem de qualidade” de “bom mestre”, se exime dessa alcunha, dizendo que apenas Deus era bom.
Fica claro que o que leva uma pessoa a ser reconhecida como boa - e não má – é a influência direta do caráter, valores e interesses de cada um. Mas por que não exercitar na forma de um decálogo as características de uma boa pessoa boa? Seria um bom ponto de partida para reconhecermos e tornarmo-nos uma.
Valor – pessoas boas se importam com o que as cerca. Pessoas, coisas, situações, tudo é alvo da preocupação destas. Pessoas boas não sofrem de apatia, não tem medo de sentir, nem de seus sentimentos, mesmo da ira. Possuem valores das quais não abrem mão, pois foram arduamente construídos e não aceitos passivamente. São bem-sucedidas em áreas da vida pela simples prática destes valores.
Humildade – pessoas boas estão bem próximas da compreensão do seu exato papel no mundo e portam-se como tal, nem a mais nem a menos. Sabem do valor do aprendizado nesta vida e admitem seus erros e os erros alheios (dentro do seu sistema de valores), acolhendo ao que erra, embora aponte o erro, pois é assim que gostariam de ser tratados.
Ternura – pessoas boas sabem expressar seus sentimentos, sabem do valor do carinho, do estar ao lado, de somar. Mesmo em momentos cruciais, em decisões ou palavras duras não existe o mecanicismo, o formalismo ou o simples ativismo perante as pessoas ao redor.
Justiça – pessoas boas sobrepujam propósitos corretos à boas atitudes. Mesmo que haja prejuízo próprio e marcas, o bem maior sempre fala mais alto.
Submissão – pessoas boas sabem quando não devem ser o centro das atenções, sabem ouvir e seguir, mesmo quando sabe que certos caminhos podem dar errados (como um recurso extremo e sem confrontar seus valores), afinal, sabe que quem lidera ao erro, aprenderá com eles, como aprenderam com os seus.
Visão – pessoas boas conseguem enxergar sob pontos diferentes de vista, principalmente aqueles que não são os seus. Conseguem aliar medidas de curto prazo a repercussões de longo prazo (mesmo que instintivamente), procuram enxergar sutilezas e subjetividades no que o cerca sem em momento algum se sentirem mais sábios ou perseguidos por isto, é apenas o sucesso de um exercício de compreensão.
Perda – pessoas boas aceitam o preço a pagar para alcançar o que querem, que sempre será igual ao que acreditam.
Esperança – pessoas boas trazem em si sempre a boa expectativa, a visão otimista, às vezes até salutarmente irresponsável, em relação às pessoas e ao mundo. Sabem diferenciar os sonhos entre palpáveis, desafios e escapismos, reconhecendo que para alcançá-los, antes de mais nada, deve existir a base, o fundamento da maioria dos conceitos acima.
Post baseado na vida de EL, que aniversariou há 15 dias, em cuja vida fica claro constante exercício em ser uma pessoa boa, tornando tão fácil a confecção deste decálogo.